Endereços de Internet completos com letras chinesas e cirílicas

30.10.2009 - 19:12 Por João Pedro Pereira
Os países com línguas que não usem o alfabeto romano – como é o caso da Rússia ou da China – vão poder ter endereços de Internet inteiramente escritos com as letras dos respectivos alfabetos.
Actualmente, a última parte de um endereço de Internet – chamada domínio de topo (por exemplo, o .com , o .net e o .pt) – tem de ser escrita obrigatoriamente em caracteres do alfabeto romano (que são os caracteres usados no português). O resto do endereço, porém, já pode ser escrito com outros caracteres.
A partir do próximo mês, os domínios de topo vão poder conter, entre outras, letras dos alfabetos cirílico, hebreu, chinês e japonês, num total de 100 mil caracteres. Esta nova geração de domínios, que já estava prevista há muito, foi aprovada hoje pelo ICANN, a entidade norte-americana responsável pela gestão dos endereços de Internet.
A exclusividade do alfabeto romano que vigorou até agora deve-se ao facto de a Internet ter sido inventada nos EUA e de os cientistas terem então desenvolvido o sistema contemplando apenas as letras usadas na língua inglesa.
O ICANN justificou a mudança com a necessidade de colocar todas as línguas em pé de igualdade, deixando de obrigar alguns cibernautas a usar caracteres romanos apenas quando estão a aceder à Internet. “Este é apenas um primeiro passo, mas é um passo incrivelmente grande e um avanço histórico rumo à internacionalização da Internet”, declarou em comunicado o presidente do ICANN, Rod Beckstrom. “Os países que participarem estarão a contribuir para pôr online milhões de pessoas – pessoas que nunca usam caracteres romanos no dia-a-dia”, notou.
Por ora, o ICANN só atribuirá domínios de topo com caracteres não romanos a países. Por exemplo, a China poderá pedir um domínio com caracteres chineses, para além do actual .ch. Mas uma empresa não poderá fazer o mesmo. Cada novo domínio está sujeito a um processo de aprovação.
Com esta medida, o ICANN tenta também apaziguar algumas vozes críticas que defendem que a gestão dos endereços da Internet devia estar na mão de uma entidade supra-governamental e não de uma organização sob a alçada da Administração americana.

