Desafios e ameaças aos media tradicionais em "Google - O Fim do Mundo como o Conhecemos"

28.04.2010 - 14:14 Por Lusa
Os desafios e as práticas empresariais da Google bem como a ameaça que constitui para os media tradicionais são alguns dos aspectos abordados no livro “Google - O Fim do Mundo como o Conhecemos”, de Ken Auletta.
A obra, que a Civilização acaba de colocar nas livrarias, resulta de mais de dois anos de investigação e acompanha a Google - conhecida sobretudo pelo motor de busca homónimo - desde que foi idealizada pelos então estudantes Larry Page e Sergey Brin até à entrada na idade adulta, passando pela “adolescência” (2007-08).
Como pode ser classificada a atitude da empresa face ao futuro e às outras empresas? A sua filosofia - que tem no slogan “don’t be evil” (“não pratiques o mal”, num sentido lato) uma das marcas mais populares - poderia alguma vez ser inofensiva? O que devem dela esperar as “velhas” indústrias da música, do cinema e da distribuição de conteúdos noticiosos? - Estas são algumas das questões levantadas pelo autor.
Para o jornalista de media e tecnologia que assina o livro, um dos pontos fortes da Google tem sido pôr em causa as fórmulas tradicionais, dificultando a vida ao tecido empresarial instalado.
“Porque é que não deveriam ser digitalizados todos os livros já publicados? Porque é que não é possível ler qualquer jornal ou revista online? Porque é que não podemos ver televisão gratuitamente nos nossos computadores? Porque é que não podemos fazer cópias da nossa música ou DVD e partilhá-la com os amigos? Porque é que a publicidade não pode ser segmentada e vendida sem o pagamento de gordas taxas intermediárias dos media? Porque é que não podemos fazer chamadas telefónicas mais baratas?” - cada pergunta, um desafio, afirma Auletta.
Assinalando que a tendência da empresa para avançar sem permissão já lhe valeu alguns dissabores, o autor recorda que a Google “foi processada pela Viacom por supostamente permitir que o YouTube [adquirido pela Google em 2006] pirateasse os seus programas de televisão, por editoras e pela Authors Guild por digitalizar os seus livros sem permissão, e esteve perto de ser processada pela Associated Press por se ligar às suas histórias sem pagar compensações”.
Conhecida também por práticas internas como facultar aos funcionários “três refeições saudáveis e gratuitas por dia, massagens, cortes de cabelo e assistência médica gratuita”, o gigante da Internet tem, contudo, um calcanhar de Aquiles: a quase nula aposta na promoção própria, o que “não reflecte apenas desprezo pelas relações públicas, reflecte também um pouco de arrogância”, na opinião de Auletta.
O impacto das práticas “googleanas” nos designados media tradicionais, com destaque para a imprensa, é outro dos tópicos diversas vezes focados ao longo das cerca de 450 páginas do volume, que procura mostrar como este sector, desestabilizado, tenta agora redefinir-se.
Ken Auletta, jornalista premiado e colunista do “The New Yorker” desde 1992, é autor de oito livros, incluindo “Three Blind Mice: How the TV Networks Lost Their Way” e “World War 3.0: Microsoft and Its Enemies”.

