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Dedipix: escrever no corpo em troca de comentários

14.10.2009 - 15:50 Por Susana Almeida Ribeiro

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Um coleccionista de dedipix oferece 35 comentários se a dedicatória for inscrita nas nádegas ou 40 de estiver sobre o peito Um coleccionista de dedipix oferece 35 comentários se a dedicatória for inscrita nas nádegas ou 40 de estiver sobre o peito (DR)
O fenómeno dedipix - a palavra que aglutina os termos dedicatória com pixel/fotografia - está a deixar as autoridades francesas em alerta. As adolescentes estão a “pôr à venda” online partes do seu corpo para a inscrição de dedicatórias. O que recebem em troca? Comentários nos seus blogues. É uma espécie de toma lá, dá cá digital. As jovens escrevem os nomes dos “anunciantes” no corpo e em troca eles deixam comentários. Quanto mais ousada é a parte do corpo em que escrevem a dedicatória, mais comentários recebem. É um ciclo que se alimenta a si próprio.

O esquema é simples: vamos supor que uma adolescente francesa tem um blogue no site Skyblogs, líder nacional na agregação de blogues juvenis.

Como todas as outras jovens, o seu desejo é que o seu blogue seja muito popular e muito comentado. Há pouco tempo, alguém se lembrou de espicaçar este desejo com mensagens deste tipo: “envia-me uma fotografia de uma parte do teu corpo na qual escrevas o meu nome e eu encho o teu blogue de comentários”. Estava assim criado o princípio do dedipix, a moda que está a dar brado nos media franceses e a dar dores de cabeça às autoridades.

Quanto mais ousada é a fotografia, mais comentários tem o “anunciante” que dar em troca. O intercâmbio está, aliás, tabelado. Um coleccionista de dedipix oferece 35 comentários se a dedicatória for inscrita nas nádegas ou 40 de estiver sobre o peito. Há quem ofereça 300 comentários para inscrições em corpos nus.

Estas compras de popularidade desataram a polémica em França. Véronique Fima-Fromager, da Action Innocence France, uma Organização Não-Governamental que luta pela preservação da dignidade e da integridade das crianças na Internet, indicou ao Le Monde que todos os anos a sociedade francesa se agita com fenómenos deste género: “Todos os anos aparecem com disparates novos. A tendência em 2008 era filmar os colegas a ponto de fazerem xixi”, comenta.

Por seu lado, citado pelo Le Nouvel Observateur, o psiquiatra Michel Stora, que colabora com Skyblogs para detectar condutas de risco, vê as coisas por outro prisma: “Sempre houve formas de exibicionismo nos blogues. A geração dos 15-25 anos tem uma relação descomplexada com a imagem”. “Podemos considerar o fenómeno inquietante, doentio, mas os adolescentes apenas se limitam a reproduzir os comportamentos voyeuristas e exibicionistas da nossa sociedade”, explicou ainda Stora, que classifica o fenómeno de “audímetro íntimo”, uma estratégia de obtenção de notoriedade através da acumulação de comentários.

Para outros especialistas, porém, o fenómeno não é tão inconsequente. Alguns alertam que o dedipix possa ser usado pelos pedófilos e pelos abusadores como um canal de aproximação a potenciais vítimas.

Em Agosto último, o L'Express publicou uma das primeiras reportagens sobre este fenómeno, mas a maioria dos blogues que tinha aderido à prática desapareceram entretanto.

De acordo com um porta-voz do Skyblogs - cujo serviço de moderação de conteúdos chegou a apagar, num único dia, 32 mil fotografias em um milhão -, se a fotografia não colocar problemas de legalidade, não há motivos para que seja censurada. Para este porta-voz, esta polémica não passa de uma tempestade num copo de água, indica o El País.

O dedipix poderá ser encarado como uma variante específica do sexting (sex+texting), a prática que consiste no envio, através do telemóvel, de imagens eróticas e semi-eróticas para namorados e amigos.

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