Criador do Facebook diz que as pessoas "já não esperam ter privacidade"

11.01.2010 - 15:19 Por Susana Almeida Ribeiro
O fundador do Facebook, o jovem multimilionário Mark Zuckerberg, disse este fim-de-semana em São Francisco que na era das redes sociais as pessoas já não esperam ter privacidade.
Este fim-de-semana, diante de uma plateia reunida para a atribuição dos Prémios Crunchie - que distinguem, anualmente, os melhores produtos tecnológicos, tendo o Facebook ganho na categoria de melhor produto global de 2009 -, o CEO daquela que é a mais popular rede social do momento indicou que a privacidade já não é uma “norma social”.
“As pessoas sentem-se mais à vontade para partilharem mais informação e diferentes tipos de informação, de forma mais aberta e com mais pessoas”, disse. “A norma social é simplesmente uma coisa que tem vindo a evoluir”.
Zuckerberg disse ainda que a ascensão das redes sociais reflecte as mudanças de atitude entre as pessoas comuns, estimando que esta mudança radical aconteceu apenas há poucos anos.
“Quando comecei [o Facebook, em 2004] no quarto do meu dormitório, em Harvard, a pergunta que as pessoas faziam era - ‘porque é que eu haveria de querer pôr informações na Internet?’ Porque é que eu haveria de querer ter um site?’”.
“Mas depois, nos últimos cinco ou seis anos, os blogues tornaram-se importantíssimos e há uma série de serviços nos quais as pessoas partilham toda a espécie de informações”.
De Harvard para o mundo
Tudo começou em Fevereiro de 2004 no dormitório de Harvard onde Mark Zuckerberg, agora com 25 anos, estudava. Com a ajuda de alguns colegas, Mark desenvolveu uma rede de partilha de perfis através da qual os estudantes da universidade podiam conhecer-se melhor. Demasiado popular para se restringir a Harvard, a rede cedo se expandiu para todo o mundo, deixando de ser um brinquedo de universitários americanos.
As declarações de Zuckerberg do passado fim-de-semana não são, de todo, uma surpresa, uma vez que o Facebook decidiu recentemente mudar as características de privacidade dos seus mais de 350 milhões de utilizadores em todo o mundo.
Mas estas declarações também representam uma mudança do ponto de vista da empresa californiana, que apesar de tudo declara esforçar-se por assegurar uma política de privacidade, permitindo as comunicações particulares entre indivíduos e entre pequenos grupos de pessoas. Esse foi, aliás, um dos segredos do seu sucesso inicial.
Mas nos últimos meses a empresa sofreu uma série de embaraços no domínio da privacidade. Parte do problema reside no facto de o Facebook estar constantemente a mudar os seus serviços. De cada vez que isso acontece, a rede social parece trazer mais e mais dados para o domínio público, enfrentando um crescente coro de críticas.
Uma das decisões polémicas ocorreu em 2006, quando foi introduzido o “feed de notícias” (por oposição ao feed activo), que faz uma actualização das actividades dos amigos.
Um ano depois a empresa lançou o Beacon, um sistema publicitário polémico que permitia aos anunciantes pesquisar as actividades online dos utilizadores. Mais: o Beacon Ads permitia que se tornassem públicas as compras online feitas pelos utilizadores (embora esta funcionalidade fosse opcional). Com este serviço, cada compra convertia-se num meio de publicidade tendo em conta que todos os amigos do comprador estariam a par da aquisição, o que não agradou a muitos defensores da privacidade online.
A onda de contestação em torno do serviço acabou por levar Mark Zuckerberg não só a suspender o serviço como a pedir desculpas publicamente. E pior: o acordo judicial custou à empresa 9,5 milhões de dólares.
Mas a empresa voltou à carga em Dezembro último, quando introduziu uma nova política de gestão das configurações de privacidade de todos os seus utilizadores. Por defeito, os perfis dos utilizadores passaram, então, a estar disponíveis para toda a rede e só mediante acção do próprio utilizador poderão as características originais de privacidade ser repostas.

