Computadores pessoais chamados a ajudar em projectos científicos

23.02.2010 - 15:44 Por Lusa, PÚBLICO
Qualquer pessoa pode ajudar no desenvolvimento de grandes projectos científicos. Basta ter um computador em casa e ligá-lo a uma plataforma de computação voluntária, o Ibercivis.
O Ibercivis, que é hoje apresentado em Lisboa mas já está em funcionamento, é uma iniciativa que junta instituições espanholas e portuguesas, como o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas e a Universidade de Coimbra.
Através do Ibercivis, o computador pessoal é ligado à plataforma e fica a trabalhar, nos momentos em que não estiver a ser usado normalmente, realizando cálculos, que são depois enviados para os investigadores.
A ideia é procurar o apoio dos cidadãos para desenvolver investigação em áreas tão diferentes como o tratamento da paramiloidose (conhecida como a doença dos pezinhos), a fusão nuclear, o desenvolvimento de nano materiais e o tratamento do cancro.
Há também escolas que vão estar envolvidas no Ibercivis através da ligação dos seus computadores, o que permitirá a alunos e professores contribuir para o avanço científico e contactar com a investigação que está a ser feita nos laboratórios nacionais e estrangeiros.
A presidente da Ciência Viva – Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, Rosália Vargas, explica que esta "é uma oportunidade de envolver o cidadão, todas as pessoas, de todas as idades e de todas as formações. Basta que tenha um computador e que queira colocá-lo ao serviço da ciência".
Trata-se de "pôr os computadores a fazer cálculos imensos, necessários em vários projectos de investigação. É uma forma de participação que parece passiva, mas é activa", realçou a responsável à agência Lusa.
Rosália Vargas frisou ainda que o projecto, que agora se inicia em Portugal, permite "fazer a ligação entre a comunidade científica e as escolas e entre a comunidade científica e a comunidade em geral".
O conceito de usar computadores pessoais para a realização de tarefas que precisem de grande poder de computação não é novo. Um dos mais conhecidos exemplos é o SETI@home, que recorre a esta técnica para analisar sinais de rádio em busca de vida extra-terrestre.

