Co-fundadores da Google no nº1 do "ranking" Media Guardian 100

13.07.2009 - 14:51 Por Susana Almeida Ribeiro
Os fundadores da Google, Sergey Brin e Larry Page, ficaram em primeiro lugar no “ranking” Media Guardian 100. O jornal britânico “The Guardian” elabora anualmente a lista das personalidades mais influentes do mundo na indústria dos media e deliberou que no número um do “ranking” 2009 deveriam figurar os dois homens que revolucionaram os motores de busca online.
A empresa, fundada há onze anos numa garagem californiana, foi uma pedrada no charco quando passou a permitir aos utilizadores filtrar aquilo que andavam à procura através de um sistema de “ranking” dos sítios mais populares.
Esta é a segunda vez consecutiva que Brin e Page ascendem ao topo do Media Guardian 100, neste “ranking” que vai já na sétima edição e que teve Rupert Murdoch mais do que uma vez em primeiro lugar.
Brin e Page (tal como o patrão da Apple Steve Jobs) auferem de salário anual na Google a quantia simbólica de um dólar, uma brincadeira orçamental para quem tem fortunas pessoais avaliadas em mais de oito mil milhões de dólares.
Apesar de o sector dos media atravessar uma grave crise, a Google permanece dominante no mercado, sendo a marca de media mais poderosa do mundo e tendo conquistado um lucro, nos primeiros três meses deste ano, perto de um 1,5 mil milhões de euros.
Tudo isto sem que a empresa crie nenhum conteúdo por si mesma, daí que os media tradicionais muitas vezes se revoltem contra o poder agregador da empresa. “A pergunta é: deveríamos permitir que a Google roube os nossos direitos de autor?”, questionava recentemente o patrão da News Corp e “mogul” dos media Rupert Murdoch. A resposta a esta pergunta, por muito que custe aos produtores de conteúdos, parece ser “sim”. A verdade é que a Google faz um óptimo trabalho ao redireccionar o tráfego dos internautas para as páginas das empresas de media tradicionais. E esta optimização é algo que dificilmente se pode dispensar, fazendo com que a relação entre os envolvidos seja pouco diferente de uma relação de amor-ódio.
Os novos desafios da Google
Os co-fundadores da Google enfrentam vários desafios no próximo ano, incluindo o novo motor de busca da Microsoft, o Bing, bem como outro tipo de engenhos de pesquisa chamados de “inteligentes”, como o Wolfram Alpha.
A Google também levou uma lição da rede social de micro-blogging Twitter, que se transformou num fenómeno de popularidade, dando aos utilizadores informações em directo oriundas de pessoas que escolheram seguir. “As pessoas querem mesmo fazer as coisas em tempo real e acho que eles [os criadores do Twitter] fizeram um excelente trabalho nesse sentido”, disse recentemente Page. “Acho que fizemos um trabalho fraco em criar coisas que funcionam ao segundo”, admitiu.
Nos últimos tempos o gigante da informática também não tem escapado às críticas, nomeadamente com o seu serviço Street View – que mostra bem de perto as ruas de várias cidades –, acusado de ser um “Big Brother” e de mostrar demasiados pormenores da vida das pessoas.
O Street View foi apenas uma das maneiras de a Google diversificar as suas aplicações na web, tal como o Google Maps, o Gmail, o Google Docs e o browser Google Chrome, bem como o telemóvel G1, que tem como objectivo fazer mossa no império da Apple, que comercializa o popular iPhone.
Na semana passada, a Google anunciou ainda que irá desenvolver o seu primeiro sistema operativo – que tem o mesmo nome do “browser”, Chrome –, e que poderá vir a ser um rival de peso para o Microsoft Windows. A empresa tem ainda como plano ambicioso digitalizar todos os livros do mundo e, não esquecer, é dona do gigante dos vídeos YouTube, apesar das disputas em várias frentes com criadores sobre a polémica questão dos direitos de autor.
A grande fatia de lucros da Google continua, porém, a vir da publicidade online: o Reino Unido é o segundo mercado para este tipo de negócio, logo a seguir aos Estados Unidos, dando à empresa 21,8 mil milhões de dólares em 2008, longe daquilo que conseguiam em 2005 (3,2 mil milhões de dólares).
Do algoritmo à filantropia

