A Biblioteca Nacional de França (BNF) poderá aliar-se ao motor de busca americano Google para fazer a digitalização das suas obras, depois de ter recusado juntar-se ao gigante americano em 2005, marcando a viragem na estratégia defendida pela instituição.
As negociações para a colaboração com o Google “poderão ser feitas nos próximos meses”, indicou o director geral adjunto da BNF, Denis Bruckmann, numa entrevista publicada pelo diário económico "La Tribune".
Em 2005, o Google tentou concretizar o projecto de digitalização das obras das bibliotecas internacionais mais prestigiadas, mas o presidente da BNF na altura, Jean-Nöel Jeanneney, recusou a proposta da empresa americana e apelou a uma contra-ofensiva europeia.
A mudança de estratégia da BNF deve-se, particularmente, aos custos da digitalização de todo o seu património, que o Google comparticipará no âmbito do projecto.
“Nós não vamos parar o nosso próprio programa de digitalização, mas se o Google nos permite ir mais longe e mais rapidamente, porque não?”, apontou Bruckmann, que também é director das colecções da BNF.
A secretária de Estado responsável pela Exploração e Desenvolvimento da economia digital, Nathalie Kosciusko-Morizet, declarou à agência AFP que “é neste momento que se estrutura o mercado dos livros digitais e a discussão entre a BNF e o Google participam disso”.
“Um acordo com o Google deve forçosamente respeitar integralmente os direitos de autor, o que não está actualmente na política do Google, e será diferente para os livros com direitos de autor e para os livros de domínio público”, acrescentou Nathalie Kosciusko-Morizet.
O Google já assinou acordos com cerca de trinta bibliotecas internacionais, entre as quais se encontram as do Congresso americano, das universidades de Harvard e Oxford, e digitalizou dez milhões de obras, que se encontram disponíveis gratuitamente no endereço da biblioteca digital, em Google search book.


