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Aplicação para iPhone vem facilitar as traições

03.03.2010 - 12:49 Por PÚBLICO

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Para aqueles que precisam de ainda mais garantias para encobrir os seus passos, a opção “apagar histórico” irá remover qualquer evidência de determinada chamada Para aqueles que precisam de ainda mais garantias para encobrir os seus passos, a opção “apagar histórico” irá remover qualquer evidência de determinada chamada (Reuters)
Qualquer semelhança com a realidade não é pura coincidência. Uma aplicação para o iPhone lançada na semana passada nos Estados Unidos e que vem facilitar as traições chama-se TigerText, numa referência não assumida ao golfista Tiger Woods, que recentemente foi apanhado a trair a mulher, num escândalo que tem emocionado os Estados Unidos. O que é que faz a aplicação? Limita o tempo de posse de uma mensagem comprometedora no telemóvel do destinatário ou destinatária.

A aplicação funciona da seguinte maneira: vamos supor que um reputado político ou desportista envia uma mensagem de texto comprometedora via iPhone através da aplicação TigerText. Para ver a mensagem, a suposta amante terá que instalar a referida aplicação. Depois de o fazer, ela poderá ler a mensagem, mas na realidade não a poderá guardar nem reencaminhar. Na realidade, a mensagem nunca está no seu telemóvel. Fica guardada nos servidores da TigerText. Depois de o emissor definir qual o período de tempo que quer que a mensagem esteja disponível depois de lida - entre um minuto e cinco dias - a mensagem deixa de existir.

Há mesmo uma hipótese que é a de “apagar ao ler”, que faz um countdown de 60 até 0, altura em que a mensagem desaparece para todo o sempre.

Para aqueles que precisam de ainda mais garantias para encobrir os seus passos, a opção “apagar histórico” irá remover qualquer evidência de determinada chamada. Se o telemóvel de um homem infiel não tiver qualquer vestígio de chamadas suspeitas, menos hipóteses terá esse homem de ser apanhado pela mulher.

Apesar de esta aplicação poder vir a ser usada por todos os maridos que enganam as mulheres, esse não foi o objectivo inicial da aplicação, desenvolvida por Jeffrey Evans, ex-funcionário de uma empresa de recursos humanos, indica a revista “Time”.

A aplicação foi chamada de TigerText antes de o golfista Tiger Woods se ver envolvido num escândalo de “texting”, descoberto pela mulher, tendo posteriormente a empresa decidido mantê-lo, explica Evans.

A única preocupação de Evans é a privacidade. “As pessoas escrevem mensagens como falam”, diz. “E algumas coisas que elas dizem, se forem retiradas do contexto, podem persegui-las”, cita a “Time”.

O criador da aplicação manifestou igualmente as limitações da aplicação no contexto europeu, onde a União Europeia estipulou, em 2006, que as operadoras de telemóvel e os ISP (Internet Service Providers, fornecedores de Internet) passariam a estar obrigadas a conservar os registos de todas as chamadas telefónicas e e-mails durante determinado período de tempo.

“Isto parece-me mal e uma invasão da privacidade”, considera o criador da aplicação. “Ainda não conseguimos perceber quais as implicações de estas conversas ficarem guardadas durante tanto tempo”.

Jeffrey Evans considerou ainda à revista “Time” que a aplicação pode ainda vir a ser útil a todos os adolescentes que, hoje em dia, trocam mensagens de texto e imagens com grande carga erótica e que poderão ter problemas se essas mensagens caírem nas mãos erradas.

Toda a gente se arrependeu uma ou outra vez depois de ter carregado em “enviar”. É a partir deste arrependimento que o TigerText pretende ganhar clientes.

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POIS

E quem garante que os registos não ficam na própria empresa do Tiger Text?

Paulo Coelho

04.03.2010 15:56

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