Alemanha propõe limites ao uso do Facebook por parte dos empregadores

26.08.2010 - 16:02 Por PÚBLICO, Agências
Numa tentativa de oferecer uma maior privacidade a todos aqueles que procuram o seu lugar ao sol no mercado de trabalho, o governo alemão propôs ontem impedir as entidades empregadoras de acederem aos perfis de potenciais candidatos no Facebook quando estiverem em fase de recrutamento.
Esta preocupação das autoridades alemãs acontece numa altura em que cada vez mais empresas procuram online informações acerca de potenciais funcionários. Na hora de decidir entre duas ou mais pessoas, qualquer informação extra é vital. Por isso mesmo, alguns especialistas em recursos humanos insistem na necessidade de não se colocar online dados que possam comprometer uma oportunidade laboral. Escrever acerca de uma noite de copos pode ser muito divertido para os seus amigos, mas o seu futuro patrão poderá não gostar de saber que é um party animal.
Esta proposta não restringe o acesso dos empregadores a informações públicas de candidatos em redes profissionais como o LinkedIn, mas o limite seria traçado nas redes puramente sociais, como é o caso do Facebook, indicou um porta-voz do Ministério do Interior alemão, Thomas de Maizière, citado pelo “The New York Times”.
Desconhece-se, porém, como é que o governo pretende levar a cabo este seu projecto. Qualquer utilizador do Facebook pode aliás, tratar disso individualmente, decidindo o que quer mostrar e a quem.
O gabinete da chanceler alemã Angela Merkel deu o seu apoio a esta proposta, que será agora discutida no Parlamento e que poderá ser aprovada ainda este ano.
A proposta inclui ainda a proibição de as empresas filmarem secretamente os seus funcionários, apesar de poderem continuar a gravar em determinados sectores, desde que avisem os trabalhadores.
O país tem sido palco, nos últimos anos, de vários escândalos envolvendo intercepção de e-mails de funcionários e gravações secretas e a explosão das redes sociais e da Web 2.0 só veio piorar as coisas.
O Facebook, com mais de 500 milhões de utilizadores regulares em todo o mundo - 10 milhões dos quais na Alemanha - tem sido alvo de inúmeras críticas nos últimos meses pelas suas violações à privacidade dos utilizadores, que são obrigados a uma estratégia de “opt-out” se não quiserem que todos os seus dados - fotografias e informação - estejam disponíveis para toda a gente. Dado o alerta, cada um só tem que ir às “definições de privacidade” - em “Conta” (canto superior direito) - e personalizar as suas escolhas.
Peter Schaar, o comissário alemão para a protecção de dados e liberdade de informação, indicou à Associated Press que a proposta é uma “melhoria substancial do status quo no que toca aos dados dos funcionários”.
Não existem, neste momento, quaisquer regras acerca da forma como as empresas usam as informações que circulam no Facebook e esta proposta pretende apenas criar algumas normas para os tribunais se poderem apoiar nelas em futuros casos que cheguem à Justiça, à medida que as redes sociais vão penetrando na vida quotidiana de todos nós.
Sarah Roy, uma porta-voz do Facebook em Paris, indicou que a empresa geralmente não comenta este tipo de legislação, mas sublinhou que os próprios utilizadores podem decidir tornar os seus perfis tão abertos ou tão fechados quanto queiram.

