O anúncio foi feito ontem, o registo para os endereços começou à meia-noite de hoje: o Egipto lançou o domínio de Internet .misr, o primeiro em caracteres árabes.
O nome, que quer dizer Egipto e vai ser escrito no alfabeto árabe, é o primeiro registo em caractereres não romanos a ser lançado depois da aprovação desta possibilidade, há duas semanas, pelo ICANN, a entidade norte-americana responsável pela gestão dos endereços de Internet. Até agora, a última parte de um endereço, chamada domínio de topo (.com, .net, .pt) tinha de ser escrita obrigatoriamente em caracteres do alfabeto romano.
“É um grande momento para nós... Agora, a Internet fala árabe”, disse o ministro egípcio das Comunicações, Tarek Kamel, durante o Fórum da Governação na Internet, que se realizou em Sharm el-Sheikh. “A voz do mundo em desenvolvimento deve ser ouvida”, afirmou no encontro o secretário-geral adjunto da ONU para os Assuntos Económicos e Sociais, Sha Zukang.
Tarek Kamel disse que o novo domínio vai “oferecer novas avenidas de inovação, investimento e crescimento” no mundo de falantes de árabe - a primeira língua para cerca de 280 milhões de pessoas no mundo.
O Egipto, com uma população de 80 milhões, tem actualmente 15 milhões de utilizadores de Internet. Como noutros países árabes e muçulmanos, os movimentos de oposição do regime nos últimos anos têm muitas vezes origem na Internet.
Primeiro apareceram os os blogues críticos do Governo, depois houve manifestações contra o Presidente Hosni Mubarak marcadas em páginas do Facebook. Hoje, há bloguers na prisão, tal como outros dissidentes políticos. E por isso algumas organizações internacionais de direitos criticaram a escolha do Egipto como cenário para a quarta edição deste fórum da ONU.
Ontem, os Repórteres Sem Fronteiras disseram ser “inacreditável” que um Governo abertamente hostil aos utilizadores da Internet tenha tido a cargo a organização deste encontro. Para além das prisões, o Egipto tem sido acusado de censurar o acesso à rede.
A conferência de quatro dias reuniu mais de 1500 representantes governamentais, membros de ONG, empresários e pessoas ligadas ao desenvolvimento da Internet.


