O interesse mediático pelo tablet da Apple tem uma explicação que deixa algo a desejar quanto à "objectividade" da cobertura jornalística do seu lançamento: a "indústria" da comunicação social tem um interesse próprio em jogo, pois o novo equipamento poderá revelar-se um lucrativo veículo para a distribuição dos seus conteúdos. E, logo, uma "tábua" de salvação para os media.
Empresas como o The New York Times, a Condé Nast ou a Time Inc. já estão a desenvolver templates digitais das suas edições em papel para serem vistos em tablets (à semelhança das aplicações que criaram para o sistema do iPhone, mas graficamente muito mais complexas e arrojadas). "Acreditamos que 2010 vai ser o ano do tablet, e queremos estar em boa posição para usufruir do seu sucesso", explicou o director editorial da Condé Nast, que publica revistas como a New Yorker, Vogue, GQ, Vanity Fair e Wired.
A ideia é que, através de plataformas como o iTunes, ou de aplicações específicas que os leitores podem descarregar para o seu tablet, as empresas jornalísticas possam "revender" os seus conteúdos do papel, com a mais-valia da interactividade. Com um ecrã táctil de alta definição e a cores, a questão do design, que ainda motiva muitos leitores a optar pelas publicações em papel, fica resolvida. E o potencial para a venda de publicidade cresce exponencialmente.
O optimismo da indústria tem a ver com os resultados da Apple enquanto distribuidora de música, filmes e programas de televisão e até livros (para já, apenas em versão áudio, agora previsivelmente em formato de texto). Vários jornais, como os do universo da News Corporation de Rupert Murdoch ou o The New York Times, vão começar a cobrar o acesso às suas edições online, e será mais fácil vender assinaturas desses serviços aos portadores do tablet do que aos que acedem aos sites a partir do computador.


