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A ascensão e queda do negócios "dot-com"

A bolha da Internet rebentou há dez anos

10.03.2010 - 12:01 Por João Pedro Pereira

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A queda bolsista não foi uma derrocada completa. Mesmo entre as empresas que tinham negócios exclusivamente online, muitas sobreviveram ao abalo A queda bolsista não foi uma derrocada completa. Mesmo entre as empresas que tinham negócios exclusivamente online, muitas sobreviveram ao abalo (Scott Olson/Reuters)
A bolsa de tecnologia dos EUA atingiu o pico em Março de 2000. Depois, foi a queda. Nos meses que se seguiram, fecharam dezenas de empresas que tinham esbanjado milhões sem retorno. Muitas tornaram-se um exemplo clássico do excesso de entusiasmo dot-com.

Em Junho de 2000, a icónica revista de tecnologia Wired era um exemplo do espírito que se vivia na recta final da bolha tecnológica. A edição tinha exactamente 400 páginas – e mais de metade era publicidade. Os anúncios – a produtos tecnológicos e a marcas de luxo (roupa, carros, relógios) – eram pagos por empresas que desembolsavam milhares para captar a atenção dos entusiastas da tecnologia que estavam entre o público da revista. Longe dos tempos da crise da imprensa, as primeiras 50 páginas dessa edição eram inteiramente preenchidas por anúncios.

A avalancha publicitária ilustra o optimismo do mundo da tecnologia. Mas, em Junho de 2000, já estavam espalhados os receios sobre a viabilidade das muitas firmas dot-com e da economia da Internet, que tinha estado em expansão acelerada desde 1995, com uma valorização bolsista astronómica e rios de capital de risco investidos. A Wired era também espelho destes receios. Lia-se na capa: “Keep Cool. The New Economy Is Hotter Than Ever” – o que se pode traduzir por “Mantenha-se Calmo. A Nova Economia Está Mais Acesa do que Nunca”. E havia boas razões para a revista apelar à tranquilidade.

Pouco tempo antes, a 10 de Março de 2000, o NASDAQ – a bolsa americana onde estão cotadas as empresas tecnológicas – atingira o pico. Nessa sexta-feira, o NASDAQ subiu para mais do dobro do registado um ano antes. Mas, na segunda-feira seguinte, quando os mercados reabriram, a queda começou. A bolha tinha rebentado e as cotações de imensas empresas tecnológicas acabaram o ano a bater no fundo.

Obviamente, perderam-se fortunas. Em alguns casos, porém, eram apenas fortunas de papel, sustentadas na valorização em bolsa. Era dinheiro que nunca esteve de facto nos bolsos dos chamados milionários dot-com, que aos 20 e poucos anos tinham fortunas avaliadas em milhões, mas cujo cartão de crédito chegava a ser rejeitado quando tentavam fazer compras. Aconteceu a pelo menos um “milionário” empreendedor britânico (num episódio descrito pela BBC) não ter conseguido comprar um bilhete de metro com o cartão de crédito.

Grandes falhanços

A queda bolsista não foi uma derrocada completa. Mesmo entre as empresas que tinham negócios exclusivamente online, muitas sobreviveram ao abalo e continuam em funcionamento. A livreira Amazon, o site de leilões eBay ou o sistema de pagamentos online PayPal são alguns exemplos de empresas dot-com que sobreviveram à crise. A Google também foi fundada em 1998, em plena bolha. Com mais dificuldades, o portal Yahoo e a AOL (que foi em 2000 o símbolo do triunfo dos media online e agora está moribunda) continuam a operar.

Foi sobretudo no período de mais entusiasmo da bolha, entre 1999 e 2000, que se registaram mais arranques falhados de empresas. Mark Heesen, presidente da Associação Nacional de Capital de Risco dos EUA, uma entidade que representa as firmas de investimento de risco junto da Administração americana, dá uma justificação simples: apareceram muitas imitações de negócios que já existiam, com financiamento abundante, mas sem hipóteses de conseguirem um lugar no mercado. “É possível ter três ou quatro empresas de Internet a operar num sector. Pode haver algumas a subsistir na periferia dessas. Mas não podemos ter 15 empresas a fazer a mesma coisa”, explicou ao PÚBLICO. “Algumas vão acabar por falhar”.

A venezuelana Carlota Perez, investigadora na Universidade de Cambridge e especialista na dinâmica das bolhas tecnológicas, tem uma visão semelhante: “Explosões de empreendedorismo só podem acontecer durante grandes bolhas tecnológicas. Há demasiado dinheiro a correr atrás de muito poucos bons projectos. Por isso, todos os projectos são aceites, sejam bons ou maus”.

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comentário

Parabéns pelo artigo....;) gostei de ler

littlepig

10.03.2010 20:29

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