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Investigador lança hoje a base de dados Pordata

"Vivemos num país em que reina a liberdade de expressão"

23.02.2010 - 11:08 Por Lusa

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"Não é verdade que condicionar a opinião pública seja a mesma coisa que retirar a liberdade de expressão", sublinha António Barreto "Não é verdade que condicionar a opinião pública seja a mesma coisa que retirar a liberdade de expressão", sublinha António Barreto (Nuno Ferreira Santos (arquivo))
O sociólogo António Barreto considerou hoje que o Governo tenta condicionar a opinião pública em Portugal mas afirmou que, apesar das "fortíssimas" tentativas de controlo, a liberdade de expressão não está em causa.

"Hoje em dia haverá 2.500 a três mil pessoas cuja função, no aparelho de Estado, é organizar a informação e fazer a agenda política. Na televisão, nos jornais, na rádio, há uma verdadeira agenda política feita à volta do Governo, pelas agências e gabinetes de comunicação. Isto chama-se condicionar a opinião pública", disse António Barreto em entrevista à Lusa. O investigador e presidente da Fundação Francisco Manuel dos Santos considerou ainda que o Estado e os grupos económicos vêm, desde há década e meia, a reforçar os meios de controlo da opinião.

"Vivemos num país onde há fortíssimas tentativas de condicionamento da opinião pública, e onde os grandes grupos económicos, e o Estado, têm vindo desde os últimos 15 anos, pelo menos, a tentar aumentar os meios de controlo de controlo da opinião - e têm aumentado sempre", afirmou.

No entanto, na opinião de António Barreto, a liberdade de expressão em Portugal não está em causa, com o investigador a dizer que " vivemos num país em que reina a liberdade de expressão".

"Se eu quiser falar, escrever e dizer publicamente o que quero, consigo (...) Eu sou capaz de dizer publicamente [que] o Governo está a tentar condicionar a opinião pública, e portanto tenho liberdade de expressão", defendeu o sociólogo.

António Barreto considerou ainda que as tentativas de controlo da opinião pública são maiores em Portugal que nos outros países europeus, porque no mercado português da comunicação social a pluralidade é menor, devido ao reduzido número de grupos de comunicação.

"Tudo se concentrou, e hoje existem dois ou três grupos importantes na comunicação social, que estão relacionados com grupos económicos ou com o Estado, ou que devem ao Estado, ou que estão ligados aos bancos que estão ligados ao Estado", afirmou. A Comissão de Ética, Sociedade e Cultura do Parlamento está a levar a cabo audiências sobre liberdade de expressão, depois de várias acusações ao Governo por alegadas interferências na comunicação social.

"Não é verdade que condicionar a opinião pública seja a mesma coisa que retirar a liberdade de expressão", sublinhou António Barreto. A Fundação Francisco Manuel dos Santos apresenta hoje a Pordata, a maior base de base de dados estatísticos sobre Portugal de acesso gratuito e universal.

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