A doença de Parkinson, cujo dia mundial se assinala hoje, afecta cerca de 20 mil pessoas em Portugal, a maioria homens com mais de 60 anos de idade.
De acordo com a Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson (APDP), os hospitais centrais registam por ano mais de 1800 novos casos e prevê-se que nas próximas duas décadas a doença afecte mais de 30 mil portugueses, devido ao aumento da esperança de vida, disse à Lusa um especialista.
Um estudo do Instituto de Segurança Social indica que 61 por cento daqueles doentes têm entre 61 e 80 anos, 57 por cento são homens e 62 por cento vivem com o respectivo cônjuge.
A doença de Parkinson foi descrita pela primeira vez em 1817 e está associada a idosos, mas os actuais meios de diagnóstico permitem detectar a doença cada vez mais cedo, segundo o neurologista Joaquim Ferreira, da Unidade de Doenças do Movimento do Hospital de Santa Maria.
Os sintomas surgem através de distúrbios de movimento, como tremor, lentidão de movimentos, rigidez muscular e instabilidade postural.
De acordo com Joaquim Ferreira, é necessário aumentar a informação sobre a doença junto dos médicos de família e da população em geral para poder diagnosticar a doença correctamente o mais cedo possível.
O especialista considera que ainda há "um défice de informação sobre a doença", acrescentando que já existem consultas especializadas.
Joaquim Ferreira defende uma aposta na informação porque por vezes o primeiro diagnóstico feito ao doente não é correcto. "Tremor não significa necessariamente Parkinson. A maior parte das pessoas que têm tremor não tem Parkinson", alerta o médico.
"É preciso que os doentes sejam diagnosticados e encaminhados pelos médicos de família para as consultas e para isso têm de saber onde é que existem", referiu Joaquim Ferreira, adiantando que a Sociedade Portuguesa de Neurologia está a promover cursos de formação para médicos de clínica geral por todo o país.
A doença surge mais a partir dos 55 anos de idade e o aumento da esperança de vida faz prever o aumento do número de casos.
"Sendo uma doença crónica, os doentes vão precisar de cuidados continuados", daí a importância de se apostar na formação e informação, justificou.
"Vai ser muito importante diagnosticar a doença o mais cedo possível porque o estrato de pessoas com mais de 55 anos vai aumentar e a partir dos 80 também", disse o clínico.


