O projecto VAMP (Viatura de Apoio Móvel à Prostituição), que a Liga Portuguesa de Profilaxia Social (LPPS) está a desenvolver no Porto há três anos, pode ser encerrado em breve devido à falta de apoios financeiros.
"O projecto não tem apoios há mais de um ano e tem sobrevivido há custa do voluntariado dos técnicos, mas isso tem limites", afirmou António Rui Leal, presidente da LPPS, numa conferência de imprensa destinada a alertar para o iminente encerramento do projecto.
Segundo o responsável, o projecto era inicialmente apoiado pela Comissão Nacional de Luta Contra a SIDA, "que deveria manter esse apoio durante três anos, mas que ainda não desbloqueou as verbas relativas a 2001".
A viatura de apoio móvel à prostituição começou a circular nas ruas do Porto em Abril de 1998, tendo como principais objectivos a educação para a saúde, a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e o apoio psicossocial às prostitutas.
Entre 1 de Outubro de 1998 e 31 de Dezembro de 2001, a VAMP contactou 472 prostitutas, num total de 6587 contactos nas 304 saídas realizadas, e distribuiu mais de 77 mil preservativos.
A VAMP desce às ruas do Porto três vezes por semana, entre as 22h00 e as 02h00. No total, este projecto implicou despesas no valor de 58 mil euros.
"Esperemos que o Governo, com esta política de cortes orçamentais, não acabe com este projecto", apelou António Leal, citado pela Lusa.
A LPPS está a desenvolver, além do projecto VAMP, outros programas de apoio, entre os quais a Unidade Móvel de Troca de Seringas. Este programa, iniciado há dez meses, implica quatro saídas semanais — às terças e sextas-feiras, sábados e domingos — destinadas a promover a troca de seringas nos bairros portuenses de S. João de Deus, Cerco e Lagarteiro.
Em dez meses, foram entregues nestes bairros problemáticos do Porto, 53.949 seringas a toxicodependentes que, para as receberem, tiveram de entregar as seringas usadas.
Mais recente é o programa de Apoio Domiciliário a Idosos e Seropositivos, iniciado há seis meses na sequência de um acordo de cooperação assinado com o Centro Regional de Segurança Social do Norte.
Este programa, que começou em Setembro com o apoio a seis elementos, ajuda actualmente cerca de três dezenas de pessoas carenciadas. "Este é um projecto inovador em Portugal, porque incide na transição entre o hospital e o regresso à família", salientou António Leal.
O programa destina-se a doentes terminais ou com elevado grau de dependência e também a seropositivos, sendo executado por seis técnicas de apoio domiciliário. Estas técnicas, além de prestarem cuidados de saúde, asseguram a satisfação de necessidades básicas dos doentes, como alimentação, higiene pessoal e serviços de arrumação e limpeza.
A Liga Portuguesa de Profilaxia Social, criada em 1924, tem como principal objectivo a realização de actividades vocacionadas para os mais carenciados e a prevenção de doenças através de medidas sociais.


