Velas, copos, trânsito caótico e a selva urbana da Avenida Paulista e do Maracanã

11.11.2009 - 10:54 Por PÚBLICO
Deixados às escuras pelo apagão que afectou ontem à noite dezenas de milhões de brasileiros, muitos foram os que procuraram refúgio à luz das velas "nos bares e botecos", narra a edição online do diário "Folha de São Paulo". "Antes uma cerveja do que estar preso nos engarrafamentos", explicava o actor André Jurado, "apanhado" pelos repórteres em convívio animado com dezenas de outros boémios da capital financeira do Brasil.
Do lado de fora, a Avenida Paulista era uma selva urbana mergulhada na noite: sem qualquer iluminação exterior, a rede de metropolitano fechada, o trânsito caótico, as paragens de autocarro afogadas de gente desesperada para conseguir regressar a casa, onde a luz não as esperava. Desde as 22h00 locais em São Paulo, como no Rio de Janeiro – e em diversas outras cidades de pelo menos dez outros estados do país –, muito do Brasil teve de haver-se sem energia eléctrica.
Na maior cidade da América do Sul, atravessar as ruas da zona da Avenida Paulista era um desafio de sobrevivência – e pouco tardou até a polícia começar a aconselhar as pessoas a não permanecerem no exterior. Sem semáforos, pouco espaço sobrava para se passar entre os carros e as discussões entre condutores e peões explodiam por todo o lado, ao mesmo tempo que aqui e ali se ia ouvindo os gritos de quem acabava de ser assaltado. "Acabaram de me levar a máquina fotográfica", lamentava-se uma mulher à "Folha".
No Rio de Janeiro – onde foram mobilizados 250 polícias extra (no topo dos 50 habituais) para monitorizar a circulação rodoviária e ainda dezenas de soldados do Batalhão de Operações Especiais e do Batalhão de Choque – registaram-se violentos arrastões e assaltos, sobretudo nas proximidades do estádio do Maracanã. A tensão e o medo estavam "de rédea solta", sublinhou à edição online de "O Globo" uma moradora de Copacabana. "Ninguém sabia exactamente o que se estava a passar", avançou.
Ao caos das ruas somaram-se ainda dificuldades nas comunicações com muitas operadoras de serviços móveis a reportarem problemas: os telemóveis não funcionavam em várias regiões do estado do Rio de Janeiro, com a rede a registar também uma sobre utilização. O número de emergência ficou fora de serviço e nas esquadras os agentes não conseguiam registar as ocorrências, uma vez que os computadores não estavam operacionais dada a falha de energia.
O popular serviço de micro blogging Twitter, ao qual é possível aceder por telemóvel com ligação Web, registou um acentuado acréscimo de utilização no Brasil ao longo de topo o apagão – com a palavra "Itaipu", o nome da barragem que alimenta toda a região afectada pelo apagão, a entrar no topo dos tópicos mais falados durante aquele período.

