Vaticano quer que bispo integrista retire declarações que proferiu sobre o Holocausto 
04.02.2009 - 14:28 Por PÚBLICO, Agências
O Vaticano ordenou ao bispo integrista Richard Williamson que retire “pública e inequivocamente” as declarações que proferiu sobre o Holocausto, sublinhando que esse passo é indispensável para que ser totalmente reintegrado na hierarquia católica.
Em comunicado, a secretaria de Estado Vaticano garante que o Papa desconhecia que a posição de Williamson quando, no final do mês passado, decidiu levantar a excomunhão do prelado, um dos quatro bispos da sociedade integrista Santo Pio X (criada pelo francês Marcel Lefebvre).
A decisão de Bento XVI gerou polémica, por ter ocorrido dias depois de uma televisão sueca transmitir uma entrevista com o bispo inglês, na qual ele pôs em causa a morte de seis milhões de judeus nas câmaras de gás, dizendo mesmo duvidar que este método de extermínio tenha sido usado pelos nazis.
Líderes religiosos e associações judaicas repudiaram a atitude do Vaticano – o Grande Rabinato de Israel, a autoridade religiosa máxima do país, cortou mesmo as relações com a Santa Sé –, o que levou o Papa a distanciar-se da posição assumida por Williamson, garantindo “total solidariedade com os irmãos judeus”.
O gesto foi considerado insuficiente e, ontem, foi a própria chanceler alemã, Ângela Merkel, a pedir ao Vaticano que esclarecesse se tolerava a negação do Holocausto.
O bispo Williamson já pediu desculpas pela controvérsia causada, mas não retirou, até ao momento, as polémicas causadas.
A nota divulgada hoje diz ainda que o “pleno reconhecimento do concílio Vaticano II e dos papas” que se lhe seguiram (não reconhecidos por Lefebvre) é uma “condição indispensável a um futuro reconhecimento” da Sociedade S. Pio X.

