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Vítima irlandesa será uma das intervenientes no colóquio

Vaticano promove cimeira para estabelecer estratégia de combate à pedofilia

06.02.2012 - 19:30 Por António Marujo

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Bento XVI apelou a uma “profunda renovação da Igreja” Bento XVI apelou a uma “profunda renovação da Igreja” (Alberto Pizzoli/AFP)
O Papa Bento XVI apelou nesta segunda-feira à tarde a uma “profunda renovação da Igreja” por ocasião de uma cimeira inédita em Roma, que junta mais de centena e meia de responsáveis católicos do mundo inteiro, para estabelecer uma estratégia universal de combate aos abusos sexuais cometidos por membros do clero.

O encontro começou há pouco mais de uma hora, na Universidade Gregoriana, com uma intervenção do cardeal William Levada, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé (CDF).

Para amanhã, estão previstos dois momentos altos: de manhã, falará Marie Collins, uma irlandesa vítima de abuso que se apresenta como “sobrevivente”; ao fim do dia, numa “celebração penitencial”, responsáveis de sete instituições católicas “culpadas ou negligentes”, pedirão perdão, publicamente, pelos silêncios, actos e omissões de que foram responsáveis.

Marie Collins, que disse não ter sido fácil aceitar o convite para falar, afirmou, citada pelo jornal La Croix, que a “cólera e a amargura” permanecem entre as vítimas, sobretudo com os responsáveis das instituições que “protegeram os criminosos”. E acrescentou: “Os representantes da Igreja trataram-nos miseravelmente.”

Charles Scicluna, encarregue deste tema na CDF desde há 10 anos, afirmou, citado no mesmo jornal: “Não pode existir nenhuma distinção entre o ‘bem da Igreja’ e a protecção das crianças. Não podemos opô-los em nenhum dos casos. Este pecado é um crime e a Igreja tem o dever de cooperar com a sociedade civil para reagir aos abusos e preveni-los.”

Em entrevista à Reuters a propósito do colóquio, que decorre até quarta-feira, Scicluna acrescenta que o Vaticano já enviou aos bispos a “mensagem muito clara” de que estes devem fazer o que a lei civil prevê em cada país.

O novo arcebispo de Manila (Filipinas), Chito Tagle, evocará no colóquio a questão delicada das “diferenças culturais” – os bispos filipinos foram o único episcopado asiático a reconhecer abusos do clero sobre menores. Em Novembro passado, a Federação das Conferências Episcopais da Ásia considerou que o fenómeno se tornou um “problema considerável” no continente.

A Ásia e a África são mesmo os novos focos de preocupação dos responsáveis do Vaticano, por causa da tolerância com que ainda se olha socialmente para o abuso sexual sobre menores. O padre Hans Zollner, vice-reitor da Gregoriana e presidente do colóquio, afirmou, a este propósito, à AFP: “O que é considerado como uma transgressão física nos Estados Unidos ou na Europa pode ser considerado normal na Ásia.”

Na sequência do colóquio, o Centro de Protecção da Infância, da Universidade Gregoriana, colocará em linha um centro de ensino à distância para divulgar boas práticas que ajudem instituições locais. Até Maio deste ano, cada conferência episcopal terá que remeter à CDF do Vaticano um documento com a sua estratégia para combater ou prevenir o fenómeno.

O colóquio tem a participação de 110 representantes de conferências episcopais de todo o mundo – entre os quais, o padre Manuel Morujão, secretário da Conferência Episcopal Portuguesa –, 30 responsáveis de ordens e congregações religiosas e uma dezena de cardeais de diferentes organismos da Cúria Romana. Os textos das intervenções poderão ser lidos online www.thr.unigre.it. Na página do Vaticano na internet, foi aberto também já há dois anos um canal dedicado apenas a este tema.

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Sem solução...isto já se arrasta há séculos!

Para o que não há remédio, remediado está!

Pedro

08.02.2012 22:22

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