Onda de protestos ao discurso do Papa proferido na terça-feira

Vaticano: Bento XVI não teve intenção de ofender crentes muçulmanos

15.09.2006 - 15:34 Por AFP

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A declaração da polémica foi proferida durante a visita de Bento XVI à Alemanha A declaração da polémica foi proferida durante a visita de Bento XVI à Alemanha (Arturo Mari/EPA)
O Papa Bento XVI não teve a intenção de “ofender a sensibilidade dos crentes muçulmanos” nem de outra religião, disse ontem o Vaticano, referindo-se ao discurso proferido pelo Sumo Pontífice na terça-feira. A Santa Sé vê-se a braços com uma onda de protestos que surgem de países como a Jordânia, Qatar, Turquia e Síria.

O comunicado foi divulgado pelo Vaticano poucas horas depois do Papa regressar da Baviera, mas não conseguiu estancar a multiplicação de reacções indignadas de dignitários muçulmanos.

O Papa “não teve a intenção de fazer um estudo aprofundado sobre a jihad [guerra santa] e pensamento muçulmano neste domínio e muito menos de ofender a sensibilidade dos crentes muçulmanos”, declarou no comunicado o padre Federico Lombardi, novo director dos serviços de imprensa do Vaticano.

“Aquilo que está bem enraizado no coração do Papa é uma clara e radical refutação da motivação religiosa da violência” e Bento XVI “quer cultivar uma atitude de respeito e diálogo com as outras religiões e culturas e, evidentemente, com o Islão”, salientou.

Hoje, no jornal “Corriere della Será”, o cardeal Paul Poupard, responsável pelo diálogo inter-religioso no Vaticano, apelou “aos amigos muçulmanos de boa vontade” a lerem o discurso do Papa “por inteiro” antes de se pronunciarem.

Renzo Guolo, sociólogo italiano das religiões, opina hoje no jornal “La Repubblica” que “ao falar do profeta Maomé e do Corão, Bento XVI, de facto, violou um tabu”.

“As religiões podem falar entre elas de ética, de paz, de família ou da secularização contra a qual querem fazer frente, mas nunca dos seus dogmas ou textos sagrados”, sob pena de provocar “uma imediata reflexão sobre a identidade”, escreve.

Já o intelectual de origem egípcia, Magdi Allam, escreve no “Corriere della Sera” – do qual é vice-director – que o Papa, ao invocar a jihad, apenas vem lembrar verdades históricas. A reacção dos muçulmanos é “desoladora e preocupante” e revela que a fé muçulmana foi “transformada por extremistas numa ideologia”.

Um discurso sobre a fé, razão e violência

A declaração da polémica, proferida na terça-feira na Universidade de Regensburg, no Sul da Alemanha, aborda a questão da fé, razão e violência.

O Islão foi invocado em alguns parágrafos, através da citação do imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1350-1425), quando este terá falado com um sábio persa muçulmano, algures entre 1394 e 1402.

O imperador terá pedido ao sábio persa: “Mostra-me o que Maomé trouxe de novo. Só encontrarás coisas más e desumanas, como o direito a defender pela espada a fé que ele persegue”. Depois, o imperador explica porque é absurdo difundir a fé pela violência. “Uma tal violência é contrária à natureza de Deus e à natureza da alma. Deus não ama o sangue e agir de maneira irracional é contrário à natureza de Deus. A fé é o fruto da alma e não do corpo. Aquele que quiser conduzir outros na fé deve ser capaz de falar bem e pensar de forma justa e não pela violência e ameaça”.

Desde o início do seu pontificado, as palavras de Bento XVI já provocaram alguns incidentes diplomáticos, nomeadamente com Israel. Em Julho de 2005, o Papa omitiu o país da lista de Estados vítimas do terrorismo, o que foi alvo de fortes protestos por parte de Telavive.

Em Maio deste ano, durante a sua peregrinação ao campo de extermínio de Auschwitz, atribuiu o nazismo a um “grupo de criminosos” e pareceu poupar o povo alemão a qualquer responsabilidade.

Líderes muçulmanos da Jordânia, Síria, Turquia, Qatar e da Organização da Conferência Islâmica já vieram a público exigir esclarecimentos e um pedido de desculpas depois das declarações de Bento XVI. Estas poderão ter tornado mais difícil a visita que o Papa tem marcada para a Turquia em Novembro.

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Penso que a civilização, que se acha racional, não entende nada da vida. O que tem nossos filhos ...

Anónimo

18.09.2006 22:15

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