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Erosão

Vamos ter praias no Verão, mas só com muita reposição de areia

25.04.2010 - 08:33 Por Adelino Gomes

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Em três ou quatro dias o mar fez desaparecer toda a praia do Furadouro Em três ou quatro dias o mar fez desaparecer toda a praia do Furadouro (Adriano Miranda)
Nas zonas da costa mais susceptíveis à erosão, um Inverno com vários temporais de sudoeste levou quase toda a areia de várias praias. As autoridades vão resolver os casos mais dramáticos, mas vamos ter de nos preparar para eventos "mais graves", avisa Veloso Gomes, um especialista na dinâmica da costa.

O Mar dá. O mar tira. É assim com os areais das nossas praias, que nos habituamos a ver emagracer no Inverno e reengordar no Verão, a tempo de nos arranjar um espacinho para as toalhas e o guarda sol. Mas um Inverno com vários temporais de sul levou a areia e fez os seus estragos, bem visíveis em zonas já conhecidas pelas autoridades que tutelam a orla costeira e pelos especialistas que acompanham o fenómeno da erosão. Ainda não vamos perder algumas praias famosas, como a da Foz do Arelho, Praia Grande (No Oeste), ou do Vale do Lobo, no Algarve, mas só porque o Instituto da Água (Inag) e as Administracções das Regiões Hidrográficas vão encher de areia um problema que, em verdade não sabemos como resolver por completo.

"Entre o conjunto de entidades do Ministério do Ambiente e do Ordenamento do Território com intervenção na costa, o investimento global para este ano em acções de requalificação e defesa costeira será de cerca de 100 milhões de euros", explicou a vice-presidente do Instituto da Água, Ana Seixas, em resposta, por e-mail, a algumas questões colocadas pelo Cidades. Entre as situações mais críticas, destaca a praia norte do Furadouro (ver texto ao lado), a praia da Foz do Arelho ("cuja intervenção se encontra em curso", assinala) e algumas praias do Algarve, onde, para além dos areiais, as arribas estão no centro das preocupações das entidades com responsabilidade nesta área (ver texto na página seguinte).

Ana Seixas não tem dúvidas em considerar que as intervenções de reposição artificial do areal que se têm realizado se têm "revelado eficazes. Exemplo disso é a Costa de Caparica", vinca, numa posição seguida por Fernando Veloso Gomes, investigador do Centro de Hidráulica, Recursos Hídricos e Ambiente (CEHRA). Para este docente da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, "se não tivessem posto areia na Costa da Caparica teria sido um desastre, mesmo para a zona urbana". Mas não deixa de apontar o dedo ao tempo que a decisão demorou. Fui convidado a estudar a Costa da Caparica há dez anos. Assisti à passagem de quatro ministros do ambiente. Quando se fez a intervenção já se estava no limite, em ruptura", queixa-se.

No algarve, a linha de costa entre as praias de Forte Novo (Quarteira) e do Garrão (Quinta do Lago), numa distância de cinco quilómetros, vai beneficiar de um enchimento, com areias retiradas do mar, mas não antes do Verão. A Administração da Região Hidrográfica do Algarve (ARH) investe nesta obra seis milhões de euros. Não será dinheiro deitado ao mar - justifica-se? "Não, não se justifica, se a questão for colocada dessa forma", responde Alveirinho Dias, do Centro de Investigação Marítima e Ambiental (CIMA), Porém, o académico que há mais de três décadas se dedicada ao estudo da erosão costeira acha que se deve olhar para estas questões de forma global. "Esta é a forma de segurar a praia de Faro, que se manteve à custa das areias que transitaram do Vale do Lobo, e assim faz sentido o investimento", enfatiza.

Especialistas e habitantes da beira-mar sabem que as praias têm os chamados perfis de Verão e perfis de Inverno. Lembra Ana Seixas que "no Inverno é natural que se observe o emagrecimento do areal e que a partir do mês de Abril comece a haver mais areia nas praias. Aqui, nota Veloso Gomes, a ondulação mais suave, com orientação predominante de noroeste, no caso da costa ocidental, costuma devolver o que as ondas fortes do inverno roubaram. "Há casos, como o do Praia Grande [Sintra], que a que ficou com o areal mais reduzido e que nesta altura já está a avançar para o perfil de Verão", diz a vice-presidente do INAG, contrariando a imagem ainda na retina de um habitante da zona que o Cidades ouviu.

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molhe norte da barra do douro

Então não se estão a esquecer de referir a "grande obra de engenharia", ...

daniel

25.05.2010 01:32

X

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