Os movimentos de utentes da Saúde defenderam hoje a abolição de todas as taxas moderadoras, em resposta ao anúncio governamental de redução para metade do valor dessas taxas para maiores de 65 anos.
Santos Cardoso, do Movimento de Utentes da Saúde (MUS), argumentou que o Governo deveria abolir os "co-pagamentos que erradamente são definidos como taxas moderadoras". "Ninguém deveria pagar internamentos, tratamentos ou os meios complementares que são definidos por prescrição clínica. Não sou eu que decido fazê-los, mas o médico, e isso nada tem de moderador", sublinhou.
O responsável do MUS comentou ainda que esta é uma decisão que marca a "entrada em campanha eleitoral" e para "amenizar a péssima imagem que se gerou do Serviço Nacional de Saúde".
Para Castro Henriques, do Movimento de Utentes dos Serviços de Saúde (MUSS), "deveria haver uma redução para zero para todos os utentes". "Quando vamos ao centro de saúde ou ao hospital não vamos ao circo, não vamos divertir-nos", resumiu o porta-voz do MUSS, recordando que "toda a população já paga impostos".
Durante o debate quinzenal no Parlamento, o primeiro-ministro, José Sócrates, anunciou uma redução em 50 por cento do valor de todas as taxas moderadoras na saúde para os utentes com mais de 65 anos. "O facto de termos conseguido superar a grave crise orçamental que recebemos, através de medidas estruturais de reorganização da administração e contenção da despesa pública, aumenta a nossa liberdade de investir no que entendemos prioritário: a melhoria das condições de protecção e bem-estar", justificou o primeiro-ministro.
Sócrates disse depois que a redução de todas as taxas moderadoras da saúde para os utentes com mais de 65 anos "é uma medida de elementar justiça", que pode agora ser tomada em virtude da "boa gestão financeira do Serviço Nacional de Saúde". "É uma medida justa porque reconhece que os mais idosos também são especialmente vulneráveis a riscos de doença, precisando de cuidados acrescidos", acrescentou.


