Utentes aproveitam paralisação dos enfermeiros para se queixarem... dos médicos

27.01.2010 - 17:55 Por Lusa
Em dia de greve de enfermeiros, utentes de dois centros de saúde de Lisboa ouvidos pela Lusa aproveitaram para se queixar... dos médicos.
Maria Teresa, que esta manhã recorreu aos serviços do Centro de Saúde de Benfica - Rodrigues Migueis, afirmou à agência Lusa que foi "atendida imediatamente" e nem "foi preciso tirar senha" para tratar de documentação.
Pouco depois, no Centro de Saúde de Sete Rios, vários utentes reclamavam com os serviços prestados naquela unidade. No entanto, não tinham protestos a fazer em relação à assistência de enfermagem, apontando as críticas à assistência médica.
Maria Celina foi atendida por uma "médica de recurso" porque aquela que a segue estava doente. Além disso, queixava-se da organização dos serviços, já que precisava de "um exame que só o médico de família pode atestar".
"Ando nisto há três meses e ninguém resolve o problema", afirmou, acrescentando que "aquilo que vale é já estar reformada e ter tempo para andar sempre a caminho do centro de saúde".
A única coisa que Maria Celina pode fazer "são as análises, o resto dos exames só a médica de família pode passar", mas como a sua médica de família "não vem, uma pessoa morre entretanto".
Também Maria José se queixava de só conseguir ser vista por médica quando vai às urgências do hospital da sua área de residência, porque assim "recebe tratamento" e não está à espera "quatro meses por uma consulta".
No caso de Maria de Lurdes, "a revolta é muito grande" porque não tem dinheiro para se tratar em médicos particulares e os "médicos não resolvem a situação".
Diz que por causa de um acidente de trabalho, fracturou "um pé, uma perna, um braço e uma mão" e que as "datas das consultas são adiadas desde Novembro", sem que o médico assistente ou alguém "veja o que se passa".
Maria de Lurdes afirma que faz várias viagens aos centros de saúde, entre as Furnas e Sete Rios, "sem obter respostas em concreto": vai "de manhã, mas a consulta é adiada para a tarde ou mesmo para outro dia" e depois, quando finalmente chega a hora, "os papéis foram mal preenchidos" pelos próprios serviços.
Os enfermeiros iniciaram hoje, às 08:00, uma greve de três dias. Segundo o Ministério da Saúde, a adesão à paralisação é na ordem dos 77 por cento, enquanto o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses diz que entre 90 e 95 por cento destes profissionais se somaram ao protesto.

