Uso abusivo da pílula do dia seguinte pode provocar cancro e vasoconstrição

15.03.2007 - 16:40 Por Lusa
O uso abusivo da Contracepção Oral de Emergência (COE), denominada pílula do dia seguinte, pode aumentar os riscos de cancro da mama e de vasoconstrição, alertaram hoje farmacêuticos e médicos, no dia em que se assinalam seis anos sobre o início da sua comercialização.
"O consumo esporádico da pílula do dia seguinte não traz mal ao mundo, tal como um dia de consumo excessivo de álcool, mas beber duas doses diárias de bebidas alcoólicas aumenta o risco de cancro da mama", comparou Daniel Pereira da Silva, da direcção da Sociedade Portuguesa de Ginecologia e secretário-geral das associações de ginecologia e obstetrícia.
Uma toma da pílula do dia seguinte equivale ao consumo de 15 comprimidos de uma pílula convencional, tendo em conta a ingestão do princípio activo levonorgestrel.
O presidente da região Norte da Ordem dos Farmacêuticos, José Mingocho, também recordou os grandes desequilíbrios hormonais e a necessidade de tomar a pílula do dia seguinte apenas em situações de emergência.
Os farmacêuticos garantiram que apenas com dispensa activa (aconselhamento por parte dos profissionais) da COE se evitam problemas maiores, uma vez que a venda poderá ser recusada em caso de risco para a saúde da mulher ou indícios de consumo repetido.
"Pelo seu historial, a pílula do dia seguinte é um caso muito especial e é um contra-senso poder estar a ser cedida sem dispensa activa", defendeu Mingocho, aproveitando para criticar as actuais condições da venda livre dos medicamentos não sujeitos a receita médica.
Continuação da venda livre é consensual
Consensual é a continuação da venda livre da pílula do dia seguinte face ao seu princípio de emergência e a necessidade de campanhas de informação sobre os perigos do consumo excessivo do medicamento.
O dirigente da Sociedade Portuguesa de Ginecologia defendeu ainda a necessidade de "muito ser feito em termos de educação para a saúde, especialmente junto dos mais jovens".
O médico planeia supervisionar uma acção de liceus do centro do país, seguindo as orientações de estudos realizados no norte da Europa, que indicam uma melhor interiorização quando a mensagem é passada por técnicos, em vez dos professores.
Os últimos estudos sobre o COE indicam que os escalões etários dos 15 aos 19 anos e 20 aos 25 anos são os maiores consumidores, estabilizando-se nas faixas superiores quando a vida afectiva tende a estabilizar e assume-se a necessidade de métodos regulares anticoncepcionais.
Inicialmente esta pílula era apenas adquirida nas farmácias, mas a partir de Novembro de 2005 passou a estar disponível em postos de venda de medicamentos não sujeitos a receita médica.
A pílula do dia seguinte consta da lista homologada pelo ministro da Saúde, Correia de Campos, no âmbito dos contraceptivos para distribuição gratuita nos centros de saúde e hospitais.

