Catedráticos de Medicina lutam contra afastamento de "cargos relevantes"

Universidade tenta travar reestruturação dos HUC em tribunal

15.06.2009 - 09:48 Por Graça Barbosa Ribeiro

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O Conselho Directivo da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) apresentou já uma providência cautelar para tentar travar a reestruturação que está a ser feita nos Hospitais da Universidade (HUC), no âmbito da passagem a Entidade Pública Empresarial (EPE).

O recurso aos meios judiciais – “com base em irregularidades processuais”, segundo o presidente da Assembleia de Representantes da FMUC, Carlos Oliveira – antecede a reunião da Comissão Mista, integrada por dirigentes de ambas as entidades, que deverá ocorrer hoje.

Em causa estão as alterações introduzidas na organização do hospital na sequência da homologação do Regulamento Interno dos HUC, EPE. Entre outros aspectos, este regulamento acabou com os departamentos que agrupavam serviços com afinidades clínicas e criou um nível intermédio de gestão.

Um grupo de médicos regentes de disciplinas clínicas, apoiado pelo presidente do Conselho Directivo da FMUC, Castro e Sousa, reagiu de imediato, considerando que, ao escolher as chefias para as novas estruturas e afastando-os de “cargos e lugares de relevo”, o Conselho de Administração (CA) dos HUC estava a “marginalizar” a faculdade e a comprometer o ensino.

Há cerca de uma semana, num plenário do Conselho Científico da FMUC (que não chegou a ter quórum) os presentes apelaram às duas entidades para que chegassem a um entendimento, na reunião prevista para hoje. Mas, nessa altura, o consenso já se afigurava difícil.

O presidente do CA dos HUC, Fernando Regateiro – que é, ele próprio, professor na faculdade e por isso tem assento no plenário – foi fortemente contestado pelos colegas, professores e médicos, que consideraram que “a tradicional relação harmoniosa” entre os HUC e a FMUC, “ essencial para o ensino”, estava ameaçada.

Na mesma altura, quando contactado pelo PÚBLICO, Fernando Regateiro limitou-se a afirmar que “as decisões que o CA dos HUC tem vindo a assumir são legítimas e visam concretizar a missão estabelecida no plano estratégico, no plano de investimentos e no regulamento interno do hospital”.

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