Unicef no Iraque não tem informações sobre crianças traficadas para Portugal

07.04.2009 - 15:06 Por Sofia Branco
A delegação da Unicef no Iraque diz não ter informações sobre crianças traficadas daquele país para Portugal, como hoje denunciava o jornal britânico "The Guardian".
Em declarações ao PÚBLICO, via telefone, o chefe de comunicação da Unicef no Iraque, Jaya Murthy, reconheceu que o fundo das Nações Unidas para as crianças está “extremamente preocupado” com as informações divulgadas pelo jornal britânico, mas realçou que “nem sequer há dados confirmados sobre se há crianças a serem traficadas do país” para o estrangeiro. “Estamos a tentar verificar essas informações, que não são as primeiras. Levamo-las a sério e estamos a trabalhar com o governo [iraquiano] sobre o assunto”, adiantou Jaya Murthy.
O chefe de comunicação da Unicef no Iraque reconheceu ainda que a situação de pós-conflito no país “aumenta a vulnerabilidade à exploração” e sublinhou que a venda de crianças “é um crime internacional”.
“Estamos preocupados com o facto de as crianças serem potencialmente vendidas a orfanatos privados ilegais”, especificou Jaya Murthy, acrescentando que a Unicef e o governo iraquiano estão a trabalhar no “reforço dos mecanismos de monitorização” e a tentar “agilizar a lei para fechar aqueles orfanatos ilegais para garantir que as crianças vulneráveis não são exploradas”.
Ao PÚBLICO, a directora da Unicef em Portugal, Madalena Marçal Grilo, reiterou que não tem “a mínima informação” sobre a existência em Portugal de crianças iraquianas traficadas. “Não sei como aparecemos” no artigo do "The Guardian", que escreve, a partir do Iraque, que “pelo menos 15 crianças iraquianas são vendidas por mês, algumas para o estrangeiro”, para países como “Jordânia, Turquia, Síria”, mas também para Estados europeus, como “Suíça, Irlanda, Reino Unido, Portugal e Suécia”.

