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Plano de contingência português apresentado hoje

União Europeia quer proibir importação de espécies selvagens

25.10.2005 - 09:07 Por Isabel Arriaga e Cunha, PÚBLICO, Bruxelas

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A UE está  a ponderar impor um embargo A UE está a ponderar impor um embargo (Ivan Frantisek/EPA)
A Comissão Europeia vai hoje propor aos governos da União Europeia (UE) a proibição da importação em todo o espaço comunitário de aves selvagens vivas depois da descoberta, no Reino Unido, de um papagaio contaminado com o vírus da gripe das aves.

A intenção foi anunciada por Markos Kyprianou, comissário europeu responsável pela saúde e protecção dos consumidores, durante uma reunião dos ministros da Agricultura dos Vinte e Cinco, no Luxemburgo. A proposta, que inclui a instituição de "controlos reforçados" na importação de aves de companhia, será debatida já hoje pelos responsáveis veterinários europeus, reunidos no comité da cadeia alimentar e saúde animal.

A ideia de embargar a importação de aves selvagens foi lançada pelo Reino Unido, depois da detecção do vírus H5N1 altamente patogénico da gripe da aves num papagaio importado do Suriname, que apareceu morto depois de um período de quarentena em companhia de aves oriundas de Taiwan.

Em simultâneo com esta decisão, os veterinários deverão confirmar a proposta ontem apresentada pela Comissão de proibir a importação de aves vivas e penas provenientes da Croácia. A decisão segue-se à confirmação, durante o fim-de-semana, de um segundo foco do mesmo vírus em cisnes mortos no Leste do país. Na semana passada, a presença do mesmo vírus foi confirmada na Turquia e Roménia, que deixaram de poder exportar produtos aviários para a UE.

Portugal pode perder 17 milhões de euros

Por seu lado, o ministro português da Agricultura, Jaime Silva, calculou que o eventual aparecimento de um foco de gripe das aves em Portugal poderá custar entre 95 mil e 17 milhões de euros. "Tudo depende do local", afirmou o ministro ao PÚBLICO, à margem da reunião dos seus pares europeus.

De acordo com o plano de contingência que será hoje apresentado em Lisboa, se a doença se manifestar na zona dos grandes aviários da Beira Litoral, o abate e incineração de todas as aves de criação num raio de 3 quilómetros - o que poderá representar 5 a 6 mil aves -, a par da imobilização de todos os animais numa zona circundante de dez quilómetros, poderá custar ao Orçamento do Estado até 17 milhões de euros. Isto, "para um único foco", precisou. O mesmo processo em Trás-os-Montes custaria, em contrapartida, 95 mil euros, devido à menor densidade da produção aviária.

A importância das estimativas levou o ministro a insistir na necessidade de todos os implicados no processo - do Governo aos produtores - aplicarem rigorosamente as medidas de prevenção.

Jaime Silva considerou, por outro lado, que não há razão para "alarmismos" face à gripe das aves, que permanece um problema essencialmente veterinário. O ministro reagia à morte de 12 gansos-patola em Peniche, frisando que a situação não é inédita e acontece com frequência este tipo de aves serem apanhadas nas redes de pesca. Os seus serviços já fizeram mais de cem análises à gripe das aves em gansos e patos, com resultados negativos.

Jaime Silva insistiu por outro lado que, segundo os cientistas, a carne de aves não oferece problemas para o consumidor, quando é cozinhada a mais de 70 graus centígrados.

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