Saúde

Um quarto da população prisional tem doenças infecto-contagiosas

17.03.2009 - 10:14 Por Lusa

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Há reclusos que têm o primeiro contacto com os serviços de saúde na prisão Há reclusos que têm o primeiro contacto com os serviços de saúde na prisão (PÚBLICO (arquivo))
Um quarto da população prisional tinha em 2008 doenças infecto-contagiosas, apesar deste número ter vindo a decrescer, revelou o subdirector-geral dos Serviços Prisionais.

A 31 de Dezembro de 2008, existiam 2643 reclusos com patologias infecciosas, incluindo tuberculose, sida e hepatite, o que corresponde a 24,8 por cento do total da população prisional, adiantou José Ricardo Nunes, em entrevista à Agência Lusa.

"É um número muito elevado, que tem vindo a baixar, mas não tão abruptamente como nós gostaríamos", disse o responsável.

José Ricardo salientou que muita dessa população é desfavorecida, oriunda de estratos sociais económicos baixos e com fraco acesso à prestação de cuidados de saúde. "É também uma população de risco ao nível das doenças infecciosas, tanto por questões de hábitos de educação, como também de outros factores de risco acrescido relacionadas, por exemplo, com as toxicodependências", acrescentou.

Os doentes encontram respostas nos serviços prisionais e, segundo José Ricardo, tem vindo a aumentar o número de reclusos que fazem terapêuticas ao nível das doenças infecciosas, designadamente do Vírus de Imunodeficiência Humana (VIH).

Há reclusos que chegam doentes e nem sabem que sofrem destas patologias, tendo o primeiro contacto com os serviços de saúde na prisão. "Esse é o papel ingrato do sistema prisional, porque é a última paragem, mas também grato porque há uma oportunidade destas pessoas terem acesso aos cuidados de saúde", sublinhou.

Sobre a adesão dos doentes ao tratamento, o responsável comentou que "lidar com a doença nunca é fácil, mas num contexto de privação de liberdade é sempre mais difícil", mas os técnicos estão preparados para lidar com esta situação.

José Ricardo Nunes sublinhou ainda que os estabelecimentos prisionais são instituições fechadas, o que poderá propiciar uma maior transmissão da doença, e que é preciso prevenir estas situações. Para isso, são realizadas acções de prevenção. Em 2008 foram realizados 155 projectos em que participaram cerca de 1600 reclusos.

É pretensão dos Serviços Prisionais criar um manual de procedimento com normas clínicas de tratamento e da prestação de cuidados de saúde, com especial enfoque na questão das doenças infecciosas, para "padronizar a intervenção e garantir que as pessoas tenham um tratamento adequado".

"Há sempre muito para fazer, nomeadamente a nível do rastreio e da promoção de maiores índices de tratamento", disse José Ricardo, adiantando que nesta missão contam com o apoio do Serviço Nacional de Saúde.

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