Dia da Depressão

Um em cada cinco doentes de clínica geral apresenta sintomas depressivos

16.10.2009 - 09:39 Por Lusa

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Só em 2008 foram vendidos quase 28 milhões de embalagens de psicofármacos Só em 2008 foram vendidos quase 28 milhões de embalagens de psicofármacos (Miguel Madeira)
Um em cada cinco doentes de clínica geral apresenta sintomas depressivos “clinicamente significativos”, revelou o psiquiatra Manuel Jara, a propósito do Dia Europeu da Depressão, que se assinala sábado. Segundo o médico, a depressão é subdiagnosticada e subtratada em todo o mundo, especialmente nos cuidados primários.

“Muitas vezes o doente não se queixa bem, esconde os sintomas depressivos e tem manifestações físicas. Outras vezes, a queixa principal é somática, dores, mal-estar, fadiga” e isso subestima a doença. Por outro lado, além de haver poucos médicos de família, “falta hoje tempo na Medicina para conversar com o doente.

Apesar disso, Manuel Jara considera que os doentes são devidamente tratados nos centros de saúde, uma vez que os clínicos gerais têm formação na área de saúde mental e estão sensibilizados para esta problemática.

A depressão é quase duas vezes mais frequente nas mulheres do que nos homens e perto de dois terços dos doentes têm pelo menos uma recorrência ao longo da vida.

“O risco de recorrência aumenta à medida que o número de episódios também aumenta e diminui com o aumento do tempo em que o doente se encontra recuperado”, explica o médico.

Manuel Jara lembra que “a depressão é a doença psiquiátrica mais frequente" e há estudos epidemiológicos que sugerem que a incidência da doença está a crescer.

Além disso, recorda Jara, é "a maior causa de suicídio”. “Dois terços das pessoas que se suicidam têm sentimentos depressivos ou depressões”, sustenta, adiantando que “as mulheres suicidam-se menos que os homens - apesar de terem mais depressões -, mas fazem mais tentativas”.

A vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental (SPPSM), Luísa Figueira, acrescenta que “a maior parte das depressões surge no início da idade adulta e afecta a vida pessoal e profissional”.

“É importante que a família seja informada sobre a doença e saiba que o risco de suicídio aumenta no primeiro mês de tratamento”, alerta a psiquiatra, explicando que a pessoa não tem capacidade para sair da depressão sozinha e necessita de cuidados médicos.

Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelam que cerca de 121 milhões de pessoas em todo o mundo podem estar presentemente a sofrer de alguma forma de depressão.

Estudos epidemiológicos mostram prevalências pontuais (proporção de pessoas afectadas num determinado momento) de três a quatro por cento e prevalências anuais de quatro a 10 por cento.

Demonstram ainda prevalências de vida (proporção de pessoas afectadas desde o nascimento até ao momento da entrevista) entre 10 e 17 por cento. Estes dados variam consoante a população estudada ou os instrumentos utilizados na avaliação clínica.

“Em Portugal, lamentavelmente não há dados epidemiológicos nesta área, mas presumem-se valores de prevalência dentro do padrão europeu e espanhol”, refere a SPPSM.

Em Espanha, um estudo realizado na Cantábria revelou uma prevalência ponderada da depressão de 6,2 por cento, com 4,5 por em homens e 7,8 por cento em mulheres.

No âmbito do Dia Europeu da Depressão, Manuel Jara quis deixar uma mensagem: “Temos de considerar que as depressões são doenças, têm múltiplas causas, que podem ser estudadas e tratadas”.

Consumo de psicofármacos aumentou 36,6 por cento em cinco anos

O consumo de psicofármacos subiu 36,6 por cento em cinco anos e só em 2008 foram vendidos quase 28 milhões de embalagens, que custaram mais de 372 milhões de euros, segundo dados do Infarmed.

Em 2008, os portugueses consumiram psicofármacos num total de 372.323.619 euros, o que representa um crescimento de 7,6 por cento em relação a 2007.

Dados do Alto Comissariado da Saúde indicam que nesse ano, em média, cada mil habitantes consumiram diariamente 152,1 medicamentos ansiolíticos, hipnóticos, sedativos e antidepressivos, enquanto em 2002 esse consumo era de 115,6 medicamentos, bem longe do melhor valor da União Europeia em 2006 (42,3).

Para a alta comissária da Saúde, é necessário saber por que se consomem tantos psicofármacos em Portugal.

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Comentários para quê?

Mesmo com as explicações e fundamentos do Professor Doutor Manuel Jara e das entidades credíveis ...

Fernando José

17.10.2009 11:49

X

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