Um dos agentes já teve alta e o outro foi submetido a uma intervenção cirúrgica

06.07.2009 - 09:47 Por Margarida Gomes
Um dos agentes da PSP baleado ontem à tarde, na cara no bairro de Santa Filomena, na Amadora, por dois homens encapuzados, já teve alta. Fonte do Hospital de São José disse ao PÚBLICO que o agente abandonou as instalações do hospital pouco depois da meia-noite e que outro ferido foi submetido durante a madrugada a uma intervenção cirúrgica e que o seu prognóstico é reservado.
Os dois agentes, ambos baleados na cara, têm idades entre os 25 e os 26 anos, segundo o presidente da distrital de Lisboa da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia, José Mendes. A Associação Sindical dos profissionais da Polícia adverte que se “vive um sentimento de impunidade para com os criminosos que agridem agentes em serviço”.-
O presidente da Associação Socioprofissional de Polícia, Paulo Flor, não esconde a preocupação pelo que aconteceu e alerta para uma situação de “desmoralização entre os agentes”. Em declarações à TSF, Paulo Flor afirma que “os próprios polícias começam a ter pouca confiança na forma como vão intervir a esta falta de confiança, e esta dificuldade, esta incerteza, pode, eventualmente, condicionar a própria eficácia da polícia, o quem num momento destes é extremamente negativo". "Nós o queremos é que a polícia tenha todas as condições para responder devidamente não só ao crime organizado e violento, mas também a todo o tipo de crime."
Autores dos disparos continuam a monte
Os autores dos disparos continuam a monte, mas o ministro da Administração Interna, Rui Pereira, que ontem visitou os dois agentes da PSP no hospital, já veio dizer que tem confiança que os autores dos disparos venham a ser detidos
O incidente correu ontem à tarde e segundo um comunicado do Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, os dois agentes terão sido chamados após um alerta de que um grupo de indivíduos se preparava para efectuar vários assaltos junto ao bairro de Santa Filomena, um dos mais problemáticos do concelho da Amadora. Segundo a TVI 24 estava em preparação um assalto dirigido a um ourives local.
Pelas 15h05, conta o mesmo comunicado, ainda na rotunda das palmeiras, do bairro Casal das Brancas, perto do local para o qual tinham sido chamados, os dois agentes foram então atingidos por disparos de caçadeira sem terem conseguido identificar os autores dos disparos. Mas, segundo o comunicado, os dois polícias ainda viram dois indivíduos encapuzados. Foi um destes indivíduos, segundo a PSP, que terá disparado, primeiro contra o vidro do carro da PSP, atingindo um dos agentes e depois contra outro agente que, entretanto terá saído da viatura.
Os dois encapuzados terão entretanto fugido, a pé, em direcção ao interior do bairro de Santa Filomena, o que levou a PSP a montar um cerco ao bairro, na tentativa de capturar os indivíduos. A Polícia Judiciária está já também a investigar este caso.
Segundo testemunhas ouvidas pela TVI 24 terá havido troca de tiros entre os indivíduos e os agentes da PSP, mas este facto foi negado pelas autoridades.
Segundo a população, o ambiente que se vive na Amadora é de autêntica “guerra civil”, sendo Santa Filomena, bairro 6 de Maio e a Cova da Moura os locais mais problemáticos do concelho e dos mais falados a nível nacional. Foi na Amadora, em 2005 que três agentes da PSP morreram. E não é só a imagem que passa para o exterior, queixam-se os locais. O ambiente para a população e comerciantes é de “terror”, afirmam.
Foi aliás em Santa Filomena que a 20 de Março de 2005 foram disparadas, segundo as perícias feitas então, mais de 30 balas contra dois agentes, mortos junto a um café local, o Chop Bar. Desde então o mesmo cenário de violência e medo é descrito pela população.
“É urgente tomar medidas para reforço da força policial no concelho e combater a posse ilegal de armas. E prender os marginais”, adiantou Joaquim Raposo, presidente da Câmara Municipal da Amadora”, que adianta ainda que “há meses” apresentou um projecto de videovigilância para os locais mais problemáticos do concelho mas que até hoje aguarda uma resposta da Comissão Nacional de Protecção de Dados.
Para o autarca, que não acredita que sejam "filhos da Amadora" que promovam estes crimes violentos, de cada vez que ocorre um episódio destes o medo na Amadora cresce. “Mais o psicológico do que o efectivo”.

