Troca de medicamentos no Garcia de Orta pode levar três arguidos a tribunal

28.01.2011 - 15:48 Por Alexandra Campos
Uma médica, uma técnica de audiologia e um enfermeiro podem vir a sentar-se no banco dos réus devido à troca de medicamentos que afectou duas crianças no Hospital Garcia de Orta (Almada), em 17 de Junho de 2010. Às crianças foi administrado um ácido em vez de um sedativo, quando se preparavam para fazer uma exame auditivo.
O Ministério Público constituiu três arguidos, mas só no final de Fevereiro se saberá se avança para acusação, adiantou a Lusa.
À margem do eventual processo-crime, o hospital já se mostrou disponível para pagar os danos patrimoniais causados, uma vez que que Simão e João Pedro (com três anos e 18 na altura do incidente) não terão ficado com sequelas, segundo adiantou ao PÚBLICO Nuno Crespo, do gabinete de imprensa da instituição. “As crianças foram avaliadas em 12 de Janeiro e não há evidência de que as lesões tenham provocado danos permanentes”, acrescentou. Agora, o hospital está disponível para negociar uma compensação às famílias. Mas um acordo não se adivinha fácil. Pedro Roldão, advogado contratado pelos pais de Samuel, e que em Setembro enviou uma proposta de indemnização ao hospital, nota que ainda não recebeu qualquer resposta. “A proposta está em avaliação”, diz Nuno Crespo. Quanto aos pais de João Pedro, agora que já se apurou que as lesões iniciais não deixaram sequelas – segundo afirma o hospital – também vão ser convidados a enviar uma proposta de indemnização.
Os dois meninos foram afectados pela troca de medicamentos no serviço de Otorrinolaringologia do Hospital Garcia de Orta.O fármaco estava num frigorífico onde não devia estar e tanto a médica como a técnica de audiologia que preparou a mesa de diagnóstico não conferiram o nome no rótulo. O Ministério Público decidiu ainda constituir arguido o enfermeiro que recepcionou o fármaco trocado.
Pedro Roldão lembra que a médica deu a Simão aquilo que pensava ser um sedativo (e que na realidade era um ácido usado para hemorragias nasais), primeiro por via oral e, como a criança não reagiu (é autista), lhe administrou o fármaco por via rectal. “Ele ficou a espumar pela boca e pelo ânus. Mas ainda deram a substância a um segundo bebé. E ele desatou aos gritos”, descreve.
Notícia substituída às 18h44

