Tribunal de Cascais recebeu novo pedido de reapreciação do "caso Martim"

24.06.2009 - 21:21 Por Andreia Sanches
Onze dias depois de ter acampado à porta do Tribunal de Família de Cascais para protestar contra a entrega do filho para adopção, Ana Leonardo, 15 anos, deposita todas as esperanças num requerimento entregue hoje pela sua advogada ao tribunal onde se pede que “seja encontrado um novo projecto de vida” para a criança.
Isilda Pegado, a conhecida advogada que representa os pais biológicos de Martim, o menino de dois anos e meio que está no centro de mais uma mediática guerra judicial, pede ao tribunal o levantamento da inibição do poder paternal – que tem impedido Ana Leonardo e Paulo Matos, o pai biológico de Martim, de visitar o filho no Refúgio Aboim Ascensão, em Faro. É nesta instituição que a criança vive actualmente.
O requerimento sustenta que o caso deve ser revisto tendo em conta o regresso da criança à família biológica – sem especificar se deve ser entregue a Ana ou a Paulo, que não vivem juntos.
O requerimento, ao que o PÚBLICO apurou, sustenta que ao contrário do que tem sido defendido por alguns juristas, as medidas de protecção de crianças e jovens – como é o caso da medida de confiança de um menor a uma instituição tendo em vista a adopção – nunca transitam em julgado e podem ser revistas a qualquer momento, assim se alterem as circunstâncias que as determinaram. O tema suscita alguma polémica. Mas Ana Leonardo, que até já fez greve de fome para protestar contra o facto do filho ter sido entregue para adopção, está confiante neste entendimento.
Pai recebido na comissão de protecção
Ana Leonardo deu à luz em Dezembro de 2006. Tinha 13 anos e era, ela própria, uma jovem sinalizada numa comissão de protecção de crianças. Quanto ao pai de Martim, só o perfilharia seis meses depois.
A ausência do pai, o facto de Ana Leonardo estar ela própria “numa situação de risco, em abandono escolar e sem família estruturada ou organizada”, foram alguns dos factos que levaram o tribunal a considerar que a família de Martim não tinha condições para criá-lo. E a decidir que o melhor para Martim seria que fosse adoptado por uma nova família.
Já os avós paternos e o pai da criança dizem que nunca foram ouvidos no processo.
Aliás, o pai de Martim e a tia paterna, Ana Matos, foram hoje recebidos pelo presidente da Comissão Nacional das Crianças e Jovens em Risco, Armando Leandro.
A família paterna da criança aguarda desde Fevereiro pela resposta do tribunal a um outro requerimento, também entregue por Isilda Pegado, onde alegam ter todas as condições sociais e económicas para receber Martim. Paulo Matos lamenta que o tribunal tenha entregue o filho para adopção sem nunca falar com ele.
Armando Leandro limitou-se a explicar à família que nada pode fazer: “A Comissão não deve, de maneira nenhuma, pronunciar-se sobre este caso, até por total respeito pela decisão do tribunal”, afirmou o responsável, admitindo, no entanto, que está a acompanhar “atentamente” a situação.

