Trezentos elementos da PSP e GNR recebem formação sobre violência doméstica

18.08.2005 - 18:25 Por Lusa
Três centenas de elementos da PSP e da GNR vão frequentar em Setembro uma acção de formação para lidar com as queixas de vítimas de violência doméstica, anunciou hoje a secretária de Estado adjunta e da Reabilitação, Idália Moniz.
Em declarações aos jornalistas no Governo Civil de Coimbra, Idália Moniz disse que o curso, promovido pelo Ministério da Administração Interna, em colaboração com a Estrutura de Missão Contra a Violência Doméstica, visa dar "uma resposta qualificada" ao problema.
O Governo planeia instalar até ao próximo ano, em todas as capitais de distrito, uma rede nacional de centros de acolhimento e de atendimento para responder mais eficazmente às vítimas de violência doméstica, afirmou a governante.
Idália Moniz visitou hoje a Casa-Abrigo de Coimbra, uma das unidades residenciais do país a funcionar em locais não identificados, por razões de segurança, que acolhe mulheres vítimas de violência doméstica, acompanhadas nalguns casos pelos filhos menores.
Estas casas, ou centros de acolhimento, proporcionam também protecção contra os parceiros violentos e contribuem para a inserção profissional das utentes, preparando-as para uma vida independente.
Os centros de atendimento e de acolhimento são geridos por associações não-governamentais, ao abrigo de protocolos com o Estado.
Em todo o país, existem 30 casas-abrigo (ou centros de acolhimento), mas o Governo pretende alargar a capacidade de resposta. Em Coimbra, projecta duplicar, até 2006, a actual capacidade de 25 a 30 vítimas de violência doméstica.
O projecto do Executivo nesta área, ainda em elaboração, prevê também a "uniformização de conceitos", tendo em conta, por exemplo, que casa-abrigo e centro de acolhimento significam basicamente o mesmo, sendo necessário optar a nível oficial por uma designação, explicou Idália Moniz.
Para Elsa Pais, presidente da Estrutura de Missão Contra a Violência Doméstica, os centros de atendimento e de acolhimento "são duas respostas que se devem complementar", como momentos separados do encaminhamento das vítimas deste tipo de violência, que são mulheres e crianças na sua maioria.
"Esta é uma realidade que continuamos a desconhecer, mas que é muito maior do que a que conhecemos", disse ainda Elsa Pais.
Em 2003, a PSP registou em todo o país dez mil queixas por violência doméstica, verificando-se dez por cento dos casos na zona de Coimbra, ainda segundo a secretária de Estado.

