Câmara fez dois requerimentos

Torres Vedras: Ministério Público recua e autoriza sátira ao Magalhães no Carnaval

20.02.2009 - 15:45 Por Romana Borja-Santos

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A autarquia poderá usar a imagem original com mulheres desde que entregue o autocolante da censura A autarquia poderá usar a imagem original com mulheres desde que entregue o autocolante da censura (Câmara de Torres Vedras)
A sátira ao computador Magalhães, que tinha sido ontem censurada por conter “conteúdo pornográfico”, afinal vai estar presente do “Monumento” do Carnaval de Torres Vedras. O autarca Carlos Miguel pediu uma autorização para colocar uma nova imagem, igual à original, no local onde agora se lê “Conteúdo removido/censurado por ordem da senhora procuradora-adjunta da Primeira Delegação do Tribunal de Torres Vedras”. A procuradora-adjunta Cristina Anjos reconsiderou e deu luz verde.

Além de poder colocar no portátil a imagem original, a Câmara de Torres Vedras recebeu também uma resposta positiva a um outro requerimento. O socialista Carlos Miguel pediu que lhe fosse devolvido o autocolante que ontem removeu e que entregou no tribunal, por ordem dos magistrados. O objectivo é que este integre “o espólio do futuro Museu do Carnaval”. Contudo, esta autorização tem uma contrapartida: o edil terá de entregar no tribunal o autocolante da censura.

Em causa está um autocolante que simulava o ecrã do portátil e onde se via uma pesquisa de imagens no motor de busca Google com a palavra-chave “mulheres”. Às 12h26 de ontem a autarquia recebeu um fax assinado pela procuradora-adjunta, com a referência de “muito urgente”. No documento, a que o PÚBLICO teve acesso, ordenava-se a “remoção do conteúdo do computador Magalhães que se encontra exposto frente ao Hotel Império até às 15h30”. Ainda que não fosse dado nenhum argumento concreto para a decisão, remetia-se para um decreto-lei sobre “publicação e comercialização de objectos e meios de comunicação social de conteúdo pornográfico”.

Os dois pedidos de hoje foram deferidos pela procuradora-adjunta Cristina Anjos que tinha, na sequência de uma queixa apresentada por um cidadão, mandado retirar a sátira. Para a autarquia o recuo não é de estranhar, uma vez que ontem a procuradora, quando recebeu o autocolante no tribunal, admitiu que se baseou numa fotografia desfocada quando tomou a primeira decisão e que se se tivesse dirigido ao local teria considerado as imagens “inócuas”.

Esta tarde o presidente da câmara reúne com os reis do Carnaval de Torres, D. Zézito Friportaluvas e D.ª Magalhona Malaviada Kudocente, nomes que fazem parte da típica crítica carnavalesca, para lhes dar a conhecer a decisão, uma vez que são estes por tradição que governam a cidade nos seis dias de folia. A “recolocação da verdade” – como lhe chama a autarquia – acontecerá hoje às 20h00.

O Carnaval de Torres Vedras é célebre pela sátira social e política que representa nos carros alegóricos e no “Monumento” - uma construção temática que todos os anos satiriza um aspecto da actualidade. Do Europeu de Futebol, passando pelo Apito Dourado e pelo ex-Presidente Bush, vários foram os temas abordados nas anteriores edições. Este ano “profissões” foi o tema escolhido e a construção mostra os pensamentos de um rapaz em relação à carreira que poderá vir a escolher. É nesta composição que estava a sátira ao Magalhães.

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Portugal: Ministério Público proíbe sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras

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Nem o MP

Nem o MP , conseguiu tirar-nos a alegria contagiante , única e brincalhona com que estamos no ...

Anónimo

23.02.2009 18:59

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