Tolerância de ponto até quarta-feira de cinzas não evitou críticas ao Governo de Jardim

21.02.2012 - 19:23 Por Tolentino de Nóbrega
A tolerância dada por Alberto João Jardim aos 30 mil funcionários públicos madeirenses, quase um terço da população activa, não evitou críticas ao Governo regional e às medidas de austeridade, por parte de centenas de foliões que participaram esta tarde no cortejo trapalhão, na Avenida do Mar, no Funchal.
A alusão à visita de Angela Merkel ao arquipélago, a convite de Jardim, que deu tolerância na Terça-feira Gorda e na manhã de quarta-feira de cinzas (que poderá gozada noutros dias por quem teve de trabalhar), abriu o cortejo, habitualmente mais espontâneo e aberto à sátira e crítica social do que o cortejo de Carnaval oficial, organizado pela Secretaria Regional do Turismo e Transportes.
Alguns foliões lamentaram ao saída do navio Armas da ligação com o continente, criticaram Cavaco Silva com o “mealheiro da Presidência”, a troika que “já levou tudo”, o aumento do desemprego, o acordo ortográfico, o “buraco cavado por quem nunca pegou numa enxada” e até as empresas “fantasmas da zona franca” que encerraram o desfile.
Até foi recordada a frase “teso mas bem disposto” proferida no passado sábado por Jardim, no novo “sambódromo” da avenida marginal. O governante, entre um passo de dança e uns batuques, confessou sentir “saudades” de quando participava no cortejo, acrescentando que gosta de “ir ali naquela anarquia”.
O custo dos festejos carnavalescos no Funchal ultrapassaram os 300 mil euros, mais do que o valor anunciado pela Secretaria Regional do Turismo e Transportes, que, só nas iluminações decorativas adjudicadas à Luzosfera (SIRAM), num ajuste directo declarado nulo pelo Tribunal de Contas, gastou 210 mil euros, não incluindo o IVA.
A tolerância de ponto decretada pelo Governo madeirense em todos os serviços, institutos e empresas públicas sob a tutela da administração regional inclui, para a além da terça-feira, a parte da manhã da quarta-feira seguinte.
A resolução publicada no Jornal Oficial do dia 15 determina ainda que “os serviços da administração pública regional autónoma, que pela sua natureza, sejam de funcionamento ininterrupto, assim como aqueles que, por razões de interesse público, tenham que laborar” nos dois referidos dias “deverão criar as condições necessárias para que os seus trabalhadores possam gozar a tolerância agora concedida em momento posterior, obtida a concordância dos respectivos superiores hierárquicos”.

