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Conversas em 2002 e 2003 repetidas a várias pessoas

Testemunhas ouviram Manuel Pedro dizer que pagou 500 mil contos a Sócrates

31.01.2009 - 12:27 Por PÚBLICO

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Duas testemunhas disseram ter ouvido várias vezes, na presença de outras pessoas, Manuel Pedsro referir o pagamento Duas testemunhas disseram ter ouvido várias vezes, na presença de outras pessoas, Manuel Pedsro referir o pagamento (Pedro Cunha (arquivo))
Duas pessoas ligadas à empresa Smith & Pedro testemunham que Manuel Pedro, o sócio português da empresa de consultoria Simth & Pedro, disse várias vezes que pagou 500 mil contos (2,5 milhões de euros) ao então ministro do Ambiente e actual primeiro-ministro, José Sócrates, para que o projecto do centro comercial Freeport fosse autorizado do ponto de vista ambiental, para que pudesse avançar o processo de licenciamento, noticia hoje o semanário “Expresso”.

O jornal conta que esta semana ouviu pessoalmente as duas testemunhas, que disseram ter ouvido várias vezes, e na presença de outras pessoas, entre 2002 e 2003, aquela afirmação da parte de Manuel Pedro. As testemunhas não são identificadas pelo jornal.

O euro já tinha sido introduzido como moeda única, mas as notas e moedas de euros só começaram a circular em 2002, por isso nessa altura muita gente ainda falava em quantias em escudos e contos. A Smith & Pedro intermediou o negócio do Freeport e fechou as portas após o início das investigações ao caso.

O “Expresso” conta que soube que esta afirmação de Manuel Pedro a admitir uma comissão ilegal ao então ministro do Ambiente do primeiro-ministro socialista António Guterres não foi ainda denunciada aos procurados do DCIAP (Departamento Central de Investigação e Acção Penal, dirigido por Cândida Almeida) que assumiram o caso no final do Verão passado.

Em Alcochete começaram mais tarde a correr boatos sobre avultados pagamentos em “luvas” pela aprovação do Freeport, que as testemunhas do “Expresso” ligam àquelas repetidas afirmações de Manuel Pedro.

No mesmo artigo, fala-se de “um sentimento generalizado de medo e retracção” entre as pessoas que tiveram relações profissionais com o empresário, “pelo facto de o nome do actual primeiro-ministro estar envolvido no processo e do que isso poderá significar para o futuro das suas carreiras caso se comprometam com depoimentos tão graves e directos.”

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