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Organizações contra a eutanásia criticam vídeo

Televisão britânica emite documentário que mostra suicídio assistido

10.12.2008 - 20:20 Por Nicolau Ferreira

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Gordon Brown apela à sensibilidade dos meios de comunicação Gordon Brown apela à sensibilidade dos meios de comunicação (Reuters)
A última aula de Craig Ewert foi vista esta noite por todos os ingleses, na televisão. O canal “Sky Real Lives” emitiu um documentário canadiano, chamado “Right to die?” que mostra o suicídio assistido de Craig Ewert na Suíça, em Setembro de 2006, meses depois de lhe ter sido diagnosticado uma doença degenerativa incurável.

“Para o Craig (...) permitir que as câmaras filmassem os seus últimos momentos em Zurique, foi a maneira de enfrentar o fim da sua vida de uma forma honesta”, escreveu Mary Ewert, viúva de Craig Ewert, num artigo do jornal “The Independent”. “Ele fez questão que o documentário fosse mostrado porque quando a morte fica escondida e é privada, as pessoas não enfrentam os medos que têm relativamente à morte”, acrescentou.

Craig Ewert, de 59 anos, era um ex-professor universitário norte-americano, radicado na Inglaterra. Durante a Primavera de 2006, foi-lhe diagnosticado uma doença degenerativa do sistema nervoso motor que rapidamente o ia tornar incapaz de realizar movimentos. Nesse Verão teve que ser ligado à uma máquina respiratória.

Apesar de a maioria das pessoas que sofrem deste tipo de doença morrerem de uma forma pacífica, Craig tinha medo de não fazer parte da maioria, conta a mulher. Na Inglaterra, a morte assistida é ilegal, por isso, o norte-americano decidiu utilizar os serviços de uma clínica suíça (onde esta prática é legal) chamada Dignitas, que também dá apoio aos cidadãos estrangeiros.

Quando falou com a clínica, acabou por entrar em contacto com o realizador John Zaritsky, que já realizou diversos documentários e recebeu um Óscar, e estava interessado em abordar este tipo de suicídio. “Craig tinha sido um professor, e pode dizer-se que tinha o chapéu de educador posto quando fez este filme”, escreveu a viúva.

O documentário, que já foi difundido com o nome “The Suicide Tourist” em Novembro de 2007, na televisão do Canadá, mostra a viagem de Craig até à Suíça e só termina com a sua morte.

Media têm "dever alargado" para com o público

“Se eu não for com isto para a frente, a minha escolha é essencialmente sofrer e fazer sofrer a minha família. E eu morro. Possivelmente de uma forma mais aflitiva e dolorosa”, diz Craig Ewert no documentário, segundo o excerto divulgado no site da "Sky Real Lives”. Posteriormente pode ver-se o antigo professor a tomar uma dose elevada de barbitúricos, morder o botão para desligar a máquina de ventilação e adormecer. Meia hora depois, o coração deixa de bater.

A emissão do documentário não passou despercebida à opinião pública, nem ao Governo britânico. Gordon Brown, o primeiro-ministro inglês, que justificou opor-se à legalização da morte assistida alegando que não queria que ninguém se sentisse pressionado para optar por esta via, sublinhou que este era um assunto sensível.

“Especificamente sobre o programa, acho que é muito importante lidar com estes assuntos de uma forma sensível e sem sensacionalismo. Espero que os meios de comunicação se recordem que têm um dever alargado para com o público em geral”, disse Brown no parlamento, citado pela "BBC News". O primeiro-ministro inglês referiu ainda que o documentário deverá ser discutido e criticado publicamente.

Os grupos contra a eutanásia acusam a televisão de ser irresponsável, e fazer “voyeurismo” sobre a eutanásia. “O programa só vai intensificar a pressão sentida por estas pessoas (...) para considerarem acabar com as suas vidas por serem um fardo para as pessoas que amam, para os que estão a cuidar de si e para uma sociedade que não tem meios suficientes”, dizia a campanha do grupo “Care Not Killing”, citada pela Reuters, e uma aliança de cerca de 50 organizações preocupadas com a questão.

Mas o realizador do filme, John Zaritsky, não concorda. “Não estaríamos a ser honestos em fazer um filme sobre o suicídio assistido, onde não se visse todo o processo”, disse à BBC Radio. “Ao mostrar-se tudo, as pessoas podem julgar por elas próprias”, explicou, citado pela Reuters.

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