Portugal apresenta uma das taxas de obesidade infantil mais altas da Europa, devido à alimentação e à vida sedentária das crianças, alertou hoje o presidente da Sociedade Portuguesa de Cirurgia de Obesidade, considerando que o país vive uma "epidemia de excesso de peso".
"A obesidade como doença existiu sempre e há causas genéticas que a explicam, mas há factores que a favorecem na actualidade, com um estilo de vida moderno, em que a alimentação é à base da caloria e o sedentarismo começa logo nas crianças", afirmou Pedro Gomes, à margem do IV Congresso de Cirurgia de Obesidade que decorre até amanhã no Luso.
O responsável defende que, além do tratamento, é necessário fazer a profilaxia, porque as taxas infantis de obesidade são já das mais elevadas entre os países europeus e tendem a crescer. "Deixámos de ouvir o barulho das crianças a brincarem na rua, que hoje estão em casa de volta do computador ou da televisão, e estamos a permitir a publicidade de produtos alimentares, como os sumos e a ‘fast-food’, que entram nos olhos das crianças, quando há países escandinavos que, por tal motivo, fazem frente às multinacionais alimentares", descreveu.
Pedro Gomes defendeu ainda que a grande obesidade tem de ser encarada pelo Estado e pelas seguradoras como doença crónica, geradora de custos sociais, lamentando que a atitude generalizada das companhias de seguros seja a de penalizar o peso das pessoas nos seguros de vida e depois não reconhecer a grande obesidade como doença que é.
Segundo o responsável, o Estado só agora começa a reconhecer a obesidade como doença crónica, que gera outras doenças que podem levar à morte e acarretar elevados custos sociais, como o absentismo. "A ADSE [Assistência na Doença aos Servidores do Estado] já comparticipa em alguns tratamentos, mas tem de haver uma modificação da forma de encarar esta doença por parte de outros subsistemas", acrescentou Pedro Gomes.
O cirurgião referiu que "o tratamento cirúrgico marca a diferença e é aquele que é eficaz quando falham, por si só, outras soluções, como a higiene alimentar" e, embora reconheça que a cirurgia da obesidade é cara na parte tecnológica, conclui que "não é de todo inacessível num país como Portugal". "É a cirurgia dos grandes obesos e não a pequena cirurgia plástica e estética e orienta-se para doentes que reúnem condições de risco de vida e de tratamento, pelo que tem de conjugar várias especialidades médicas e cirúrgicas", esclarece.


