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Luanda decreta quarentena

Surto de Marburgo em Angola já é o pior de sempre no mundo

30.03.2005 - 08:43 Por Joana Ferreira da Costa, PÚBLICO

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Mais quatro pessoas morreram da febre hemorrágica, da família do vírus Ébola (na foto) Mais quatro pessoas morreram da febre hemorrágica, da família do vírus Ébola (na foto) (DR)
Angola está confrontada com o pior surto de sempre da febre hemorrágica de Marburgo. Mais quatro pessoas morreram, fazendo subir para 126 o número de vítimas da doença, desde que, há cerca de seis meses, foi registado o primeiro caso na província do Uíje.

Ontem as autoridades decretaram uma quarentena de 21 dias - o período máximo de incubação do vírus - para quem visitou esta província e pretende sair do território angolano. "As pessoas têm de permanecer 21 dias [em Angola] antes de abandonarem o país, reduzindo a possibilidade de exportarmos casos", afirmou o ministro da Saúde angolano, José Van Dunem.

O número de vítimas da doença continua a subir. Entre as quatro mortos ontem confirmados à AFP está uma criança de um ano, que morreu segunda-feira na maternidade central de Luanda, e dois polícias de Makela do Zombo, a 300 quilómetros da cidade de Uíje, o epicentro da epidemia na província do Norte de Angola com o mesmo nome. A outra vítima, um adulto, morreu ontem no hospital de Uíje.

Os dados avançados pela AFP, citando fontes hospitalares e as equipas no terreno, colidem com os das autoridades oficiais e da Organização Mundial da Saúde, que dão conta de um número inferior de mortes (117), provavelmente devido à necessidade de confirmar laboratorialmente a causa dos óbitos. Esta é já a epidemia mais grave da doença, ultrapassando o surto na vizinha República Democrática do Congo, onde 123 pessoas morreram entre 1998 e 2000.

Semanas decisivas

O responsável do departamento de Saúde da Província de Uíje, Quiala Godi, confirmou à AFP que deram entrada no hospital da cidade "outros três casos suspeitos, um enfermeiro e dois detidos na cadeia provincial do Uíje". O Marburgo parece ter entrado nas prisões.

Altamente agressivo e com um curto tempo de incubação, o vírus transmite-se através de fluidos corporais, sendo mortal em 25 por cento a 80 por cento dos casos. Mas em Angola, onde as condições sanitárias são preocupantes e os infectados só se dirigem aos serviços de saúde quando o seu estado é já muito grave, "as elevadas taxas de mortalidade são as esperadas", afirmou ao PÚBLICO a responsável pela divisão de doenças transmissíveis da Direcção-Geral de Saúde portuguesa, Graça Freitas.

A mesma responsável frisa que só dentro de semanas se poderão avaliar os resultados das medidas sanitárias para travar a doença que na segunda-feira começaram a ser adoptadas pelas autoridades angolanas e organizações internacionais no país. Os casos de mortes e infecções que chegam aos hospitais são de pessoas que já foram infectadas há pelo menos 21 dias [o período máximo de incubação do vírus].

No Uíje, as autoridades começaram a equipar o pessoal de saúde com fatos de protecção, a instalar laboratórios e a sensibilizar a população para as formas de transmissão da doença.

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