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Mil surdos inscritos em centros de emprego

Surdos não conseguem emprego por falta de intérprete

22.05.2009 - 16:45 Por Lusa

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Seminário "Os Surdos e o Mercado de Trabalho" decorre amanhã em Lisboa Seminário "Os Surdos e o Mercado de Trabalho" decorre amanhã em Lisboa (Miguel Madeira)
Quase mil surdos estão inscritos nos centros de emprego em Portugal. A Federação Portuguesa das Associações de Surdos (FPAS) afirma que na procura de trabalho quase sempre esbarram com a falta de intérprete, o que os elimina logo na fase da entrevista.

Dados do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social (MTSS) avançados hoje à agência Lusa indicam que no final de Dezembro de 2008 havia 962 pessoas inscritas nos Centros de Emprego com Deficiências Auditivas, representando 13,44 por cento do total de inscritos com deficiências.

Segundo os mesmos dados, fornecidos pelo Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), dos 962 desempregados, 707 têm deficiências de audição, 129 deficiência da sensibilidade auditiva e 128 têm outras deficiências auditivas e do órgão da audição.

A propósito do seminário "Os Surdos e o Mercado de Trabalho", que a FPAS organiza sábado em Lisboa, o presidente da Federação, Arlindo Oliveira, disse à Lusa que a "principal barreira" que o surdo enfrenta na entrevista de emprego é a comunicação.

"Como está desempregado e com poucos recursos financeiros, o surdo não se pode fazer acompanhar por um intérprete e é logo eliminado", adiantou Arlindo Oliveira.

Para a psicóloga Helena Alves, a ausência de intérpretes no acesso a Centros de Emprego e a departamentos de recursos humanos em empresas dificulta-lhes o acesso.

"Mas quando uma empresa tem como funcionário uma pessoa surda, este é apreciado, o clima organizacional modifica-se humanamente, o contacto com alternativas de comunicação revela-se um desafio que enriquece todos e a porta abre-se para a contratação de outras pessoas surdas", sustentou.

O problema coloca-se depois no seu acesso a formação contínua nas empresas como qualquer outro trabalhador.

"Não têm acesso, porque não lhes são proporcionadas alternativas de acederem à informação e comunicação, mantendo-se a trabalhar 20, 22 anos no mesmo posto de trabalho sem progressão na carreira, sem aceder a formação na empresa e sem sentimentos de discriminação nem de prejuízo, porque os colegas que foram à formação depois ensinam o que aprenderam", frisou à Lusa.

Para inverter esta situação, defendeu, é preciso "facilitar o acesso à informação e comunicação em igualdade de oportunidades", assegurando que possam aceder a "alternativas de comunicação, através de intérprete ou pela escrita"

Para Helena Alves, torna-se "imperioso" organizar um "serviço de intérpretes" e integrar numa prática colectiva este recurso, sempre que um surdo aceda a um serviço, nomeadamente escola, universidade, Centro de Emprego, Centro de Formação, Hospital ou Polícia.

Mas os problemas das pessoas com deficiência auditivas começam muito mais cedo, nos bancos das escolas.

"A inexistência de intérpretes nas universidades, em Centros de Formação Profissional inibe-os de aceder a formações qualificantes", frisou Helena Alves, do Centro de Novas Oportunidades da Casa Pia de Lisboa, especializado para intervir a nível nacional com pessoas surdas, cegas e surdocegas.

De acordo com os dados do MTSS, estão inscritos nos Centros Novas Oportunidades 264 pessoas com deficiências auditivas, que representam 24,18 por cento do total de inscritos com deficiência.

A acompanhar há quase 30 anos jovens e adultos surdos, a psicóloga sublinhou que "as trajectórias profissionais conseguidas ao longo da vida por mérito e esforço próprio não têm, na sua esmagadora maioria, um certificado escolar ou profissional, mas são fruto de uma vivência pessoal e profissional diversificada".

O presidente da FPAS apelou aos proprietários das empresas para que possibilitem a um surdo demonstrar as suas capacidade profissionais, além da entrevista inicial.

"Se isto acontecesse haveria mais igualdade de oportunidades para todos", sublinhou Arlindo Oliveira.

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Anónimo

22.01.2010 21:13

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