Suíço condenado por chantagear a mulher mais rica da Alemanha

09.03.2009 - 18:52 Por Maria João Guimarães
Chegou hoje ao tribunal de Munique com um sorriso para os fotógrafos, mantendo-se impassível quando foi lida a sua sentença – seis anos de prisão.
Helg Sgarbi, um suíço que se aproximou de mulheres ricas para lhes extorquir dinheiro, quis mostrar um lado cavalheiresco no julgamento: “Gostava de fazer a seguinte declaração: Lamento profundamente os acontecimentos e peço aqui desculpa publicamente às mulheres envolvidas”.
As mulheres envolvidas conseguiram manter o anonimato, já que com a confissão de Sgarbi não foi preciso que a acusação tivesse de recorrer aos seus testemunhos em tribunal – todas excepto aquela que desencadeou a investigação policial e levou à prisão de Helg: a mulher mais rica da Alemanha, a herdeira de uma parte da BMW, Susanne Klatten.
O processo de Munique dizia respeito a quatro mulheres que Helg tinha seduzido e usado depois para pedir “empréstimos” de vários milhões de euros, contando aparentemente sempre a mesma história: que tinha estado recentemente nos EUA onde tinha atropelado uma menina de uma família da máfia, que lhe exigia uma certa quantia para cuidar da menina, que tinha ficado paralítica. No caso de Klatten, Helg dizia ter 3 milhões, pedindo emprestados outros sete. Depois, fazia chantagem com fotografias íntimas suas com as vítimas.
Condessa de 83 anos
A primeira vez que Helg tinha aparecido no radar das autoridades fora em 2001, quando uma condessa de 83 anos fez queixa dele – mas pouco mais tarde retirou as acusações. Morreu um ano mais tarde.
De outras vítimas sabe-se pouco, excepto um ou outro pormenor: uma mulher comprou alianças após uma proposta de casamento de Helg, outra começou um fundo de rendimento de milhões de euros em seu nome.
Helg, 44 anos, tinha conhecido a rica herdeira da família Quandt numa estância de luxo no Tirol em Julho de 2007, que se tinha tornado o terreno eleito de “caça” de Helg, que dizia ser enviado especial do Governo suíço para “zonas de crise”, o que ajudava a explicar ausências repentinas.
O charlatão terá conseguido seduzir Klatten, 46 anos, casada e mãe de três filhos, um mês mais tarde, quando apareceu inesperadamente no Sul de França onde ela passava férias.
Encontraram-se em Agosto de 2007 no Holliday Inn de Munique – e o seu encontro foi secretamente filmado e mais tarde usado por Sgarbi para chantagear a herdeira da BMW. Antes, Klatten tinha-lhe emprestado os 7 milhões de euros pedidos para a família mafiosa da menina paralítica.
A chantagem só ocorreu depois de Klatten negar estabelecer um fundo de 290 milhões de euros para se juntar a Sgarbi, e se recusou a deixar o marido - a quem entretanto tinha confessado o affair. A relação acabou aí.
Mas Sgarbi usou então a ameaça de enviar imagens do vídeo que tinha filmado do encontro no Holliday Inn desse Agosto ao marido de Klatten e à comunicação social. Exigiu 49 milhões de euros, mas depois reduziu a quantia para 14 milhões. O ultimato tinha a data de 15 de Janeiro. “O que está em jogo é muito para ti”, terá dito Helg. “Mas para mim é irrelevante.”
No dia 14 de Janeiro, Sgarbi esperava o pagamento numa área de descanso de uma auto-estrada na Áustria. Foi aí que foi detido por uma unidade especial da polícia austríaca e logo extraditado para a Alemanha, onde aguardou o julgamento em prisão preventiva.
Quatro horas de julgamento
O julgamento de Sgarbi no tribunal de Munique demorou quatro horas – previa-se que pudesse demorar cinco dias se ele não confessasse.
Havia 200 jornalistas acreditados para cobrir o julgamento, conta a revista Der Spiegel. Este processo atraiu imensa atenção mediática, tendo sido classificado como o processo do ano no país – e alimentando artigos que revelavam algumas das declarações de Suzanne Klatten à polícia ou discutiam o que leva a que mulheres poderosas sejam enganadas por charlatães do género de Sgarbi.

