SOS Voz Amiga

Suicídio: menos pedidos de ajuda desde que linha de apoio passou a ser paga

10.09.2009 - 07:34 Por Lusa, PÚBLICO

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As doenças psicológicas e físicas e as dependências foram o principal motivo que levou os utentes a recorrerem ao serviço As doenças psicológicas e físicas e as dependências foram o principal motivo que levou os utentes a recorrerem ao serviço (David Clifford (arquivo))
O telefone continua a tocar diariamente, mas desde que a linha de atendimento SOS Voz Amiga deixou de ser gratuita entre as 21h00 e as 24h00 registou-se "uma forte quebra no número das chamadas", disse um responsável.

"Desde o fim da linha gratuita, em 2008, que funcionava diariamente das 21h00 às 24h00, houve uma quebra de cerca de mil chamadas", disse Afonso Faria, responsável pela coordenação da linha, que no primeiro semestre de 2009 já atendeu 2148 chamadas, 12 por cento das quais relacionadas com ideias de suicídio ou morte.

O também membro da direcção da Liga Portuguesa de Higiene Mental, entidade responsável pelo SOS Voz Amiga, explicou que a perda de gratuidade desse serviço (até 2008 funcionava nesse horário sob o patrocínio da Portugal Telecom) afecta "sobretudo as pessoas sem meios, que agora têm maiores dificuldades em pedir ajuda".

"É claramente uma barreira", salientou o responsável, lembrando que muitas pessoas que ligam, "ao saberem que a chamada é paga, desligam logo ou então ficam constrangidas sempre a olhar para o relógio". Lembrando o caso de um homem sem-abrigo, com cerca de trinta anos, que vivia na rua em Setúbal e que "num momento de extrema solidão, angústia e desespero" decidiu telefonar ao SOS Voz Amiga, o responsável salienta a importância de "voltar a ter uma linha gratuita para poder destinar uma voz amiga às pessoas em sofrimento".

"Era do Norte e tinha ido trabalhar há alguns anos a Setúbal. Vivia numa situação de extrema precariedade e de completa rejeição social. Numa noite, quando se sentiu num beco sem saída e não tinha ninguém a quem recorrer, decidiu ligar", lembrou.

Mulheres são quem mais liga

O que acontece depois da conversa entre quem ajuda e quem apela é sempre uma incógnita para os voluntários deste serviço, que existe há trinta anos, observou. O SOS Voz Amiga foi o primeiro telefone de ajuda a surgir, em Portugal, na área da prevenção do suicídio. É a única linha do seu género que se mantém em funcionamento permanente desde a data da sua criação, prestando um serviço de ajuda pontual em situações agudas de sofrimento causadas pela solidão, ansiedade e depressão.

Dados relativos ao primeiro semestre de 2009 divulgados por ocasião do Dia Mundial da Prevenção do Suicídio, que hoje se assinala, referem ainda que as mulheres continuam a ser as que mais recorrem ao serviço, tendo telefonado um total de 1195 vezes, número quase duas vezes superior ao das chamadas efectuadas pelo sexo masculino (599).

Entretanto a linha iniciou às 00h00 de hoje uma campanha de atendimento contínuo que vai durar 72 horas, associando-se assim ao Dia Mundial da Prevenção do Suicídio. A campanha de atendimento contínuo desta linha anónima, que apoia pessoas com problemas conjugais, de solidão, com dependências ou em risco de suicídio, estende-se até as 24h00 de amanhã.

As doenças psicológicas e físicas e as dependências foram o principal motivo que levou os utentes a recorrerem ao serviço (734 chamadas), seguidas dos problemas conjugais, de família e sentimentais ou afectivos. As questões pessoais, éticas e morais, o medo e sobretudo a solidão aparecem em terceiro lugar, com um total de 546 chamadas.

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-

Que vergonha. Pagamos impostos para quê?

-G

10.09.2009 16:30

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