“Solitário Português” detido em Lisboa fica em prisão preventiva

13.08.2008 - 20:04 Por Pedro Garcias, PÚBLICO
O “Solitário Português” que foi detido em Lisboa pela Polícia Judiciária e que há quatro anos se dedicava a roubos de bancos com recurso a armas de fogo já foi presente a tribunal e ficou sujeito à medida de coacção de prisão preventiva, noticiou a SIC Notícias.
A Polícia Judiciária apreendeu ainda uma arma de fogo de calibre 6,35 mm e vários adereços de disfarce que o homem de 50 anos terá usado nos 26 assaltos que fez na zona da Grande Lisboa, tendo mesmo chegado a fazer dois assaltos num mesmo dia pelo menos três vezes.
O "Solitário Português" assaltava sozinho dependências bancárias, à semelhança do "El Solitário", o homem espanhol que se encontra detido em Portugal e que é acusado de mais de 30 assaltos a bancos em cinco anos. O método era o mesmo- actuavam sozinhos e de arma em punho –, o objectivo também – assaltavam bancos -, o rigor idem aspas – estudavam a fundo os locais de assalto - e durante anos conseguiram ludibriar as autoridades até se tornarem em verdadeiras lendas. Principalmente o espanhol, que demorou pelo menos 14 anos a ser detido, depois de ter assaltado mais de 30 bancos e ter morto dois guarda-civis espanhóis em 2004. Foi condenado a 47 anos de cadeia.
Segundo a PJ, o “Solitário Português” manteve a sua actividade criminosa, “reiterada e de rara intensidade”, durante 43 meses, “tendo apenas abrandado - mas não cessado – na sequência da divulgação de fotografias de assaltos e de pedidos de informações efectuados através dos órgãos de comunicação social”. Mas neste “curto” espaço de tempo foi capaz de assaltar 26 bancos, todos na zona da Grande Lisboa (chegou a assaltar dois no mesmo dia). No entanto, ao contrário do criminoso espanhol, nunca terá feito qualquer vítima.
É possível que haja mais semelhanças entre os dois. O espanhol descrevia-se não como um assaltante mas sim como “um expropriador de bancos”. Desconhece-se o qualificativo que reclamará para si o indivíduo que a Polícia Judiciária deteve anteontem. E também não se sabe se vivia “obcecado em ser sempre o número um” , tal como foi descrito “El Solitário” pelos juízes que o condenaram.
O assaltante espanhol também era conhecido por ser uma pessoa “muito teatral”. Mas aqui surge uma grande diferença em relação ao assaltante português. Este, apesar de actuar com “raro-à-vontade” e sempre de cara descoberta, protegendo-se apenas com uns óculos escuros e, de vez em quando, um chapéu, mantinha uma vida paralela de forma regular e discreta como operador de armazém.
Esta vida dupla terminou ontem, culminando uma investigação longa e de grande “complexidade” da PJ ( o indivíduo não possuía quaisquer antecedentes criminais), que contou com a colaboração do Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa. A divulgação pública, há poucos meses, de imagens do assaltante no interior de agências bancárias, captadas por câmaras de videovigilância, acabou por conduzir à sua captura. A ousadia de actuar de rosto descoberto acabou por lhe ser fatal.

