Apenas cinco mil grávidas no segundo e terceiro trimestre de gestação, num universo de 60 mil, é que tomaram a vacina contra a gripe A (H1N1), informou hoje em conferência de imprensa o director-geral da Saúde, Francisco George. O que significa que somente oito por cento tomou esta decisão.
A subdirectora-geral da Saúde, Graça Freitas, conta o caso de mulheres que tinham concordado ser vacinadas, a conselho do seu médico de família ou obstetra, que já tinham o dia marcado para serem imunizadas e que, à última hora, não apareceram nos centros de saúde. A culpa da baixa adesão deste grupo é atribuída "à ampla divulgação de notícias alarmistas de casos de morte fetal que que não tinham relação causal com a vacina”, lê-se no comunicado hoje divulgado.
Só o “contexto psico-social adverso à vacinação das grávidas” explica a não imunização de um grupo que tem dez vezes mais risco de sofrer complicações em caso de infecção com a gripe A, explica Graça Freitas. A vacinação arrancou a 26 de Outubro.
Já o grupo das crianças dos seis meses aos dois anos "tem tido uma boa adesão", constata o ministério, dizendo que foram administradas oito mil doses "em pouco mais de semana". "Há confiança de pais e pediatras", notou.
Nos hospitais públicos os enfermeiros são o grupo mais renitente, apenas 18 por cento se vacinou, bastante menos do que os médicos, já que 32 por cento estão imunizados, assim como doze por cento dos outros profissionais de saúde - num total de 17 mil profissionais.
Contas feitas, um mês após o início da campanha, Portugal (excluindo Madeira a Açores) vacinou 96 mil pessoas, o que significa que foram administradas pelos menos 67 por cento das vacinas distribuídas até 24 de Novembro. Agora, o número de doses disponíveis já é bastante maior: a juntar às 152 mil chegaram mais 62 mil.
Quantas às reacções adversas, foi estudada a relação entre a vacinação e as mortes fetais ocorridas tanto em Portugal como noutros países e a conclusão é de que "altamente improvável haver qualquer relação", disse o presidente da Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed), Vasco Maria. Trata-se "uma coincidência temporal", sublinhou George.
Portugal recebeu 42 notificações de suspeitas de reacções adversas relacionadas com a vacina pandémica, 18 consideradas graves pela pessoa que notificou. A maioria foram dores musculares (22), febre e sintomas febris (20), 14 reações no local de administração, como dor ou inchaço, e nove de náuseas e vómitos. Todas são sintomas esperados, também sentidos com a vacina da gripe comum, disse o responsável. "Todas as situações evoluíram para a cura, algumas mais recentes estão em observação"
Notícia actualizada às 13h22


