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Abalo de 6,4 na escala aberta de Richter

Sismo no Irão faz pelo menos 400 mortos

22.02.2005 - 07:36

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O abalo atingiu os 6,4 na escala aberta de Richter O abalo atingiu os 6,4 na escala aberta de Richter (Iran TV/AP)
Um terramoto que esta manhã abalou a cidade de Zarand, no Irão, terá feito pelo menos 400 mortos e mais de mil feridos, apesar de os números oficiais do Governo iraniano confirmarem apenas 126 mortos e cerca de 500 feridos.

O abalo atingiu uma magnitude de 6,4 na escala aberta de Richter e ocorreu cerca das 05h55 locais (03h25 hora de Lisboa). De acordo com o relato de Ali Komsari, porta-voz do governador da província de Kerman, várias localidades ficaram destruídas.

"Segundo as últimas informações de que dispomos, o sismo fez 126 mortos e 500 feridos", disse, por seu turno, o chefe dos serviços de apoio às catástrofes naturais de Kerman, Mohammad Javad Fadaie.

As autoridades acreditam que o número de vítimas não será tão dramático como é habitual naquela zona de actividade sísmica porque, apesar da destruição nas aldeias, há grandes zonas habitacionais que aparentam não ter sofrido grandes estragos. "Em Zarand e Kerman só caíram paredes e não houve vítimas", disse o porta-voz do Ministério do Interior, Jahanbakhsh Khanjani.

O governador de Kerman, Mohammad Ali Karimi, disse que foram enviados grupos de apoio de emergência para as aldeias atingidas, mas que ainda não foi pedida ajuda a outras províncias para fazer face aos estragos.

A agência oficial IRNA cita o responsável pelo Gabinete de Desastres Naturais de Kerman, Mohsen Salehi, que indica que nas cinco aldeias mais atingidas, a destruição foi de 20 a 70 por cento. Ainda assim, não há registo de danos em nenhuma das grandes instalações de produção de petróleo ou gás.

"Os números mostraram-nos nas primeiras horas que mais de mil pessoas ficaram feridas e que quase 400 morreram", reiterou Ali Komsari. A rádio estatal indicava apenas a morte de 104 pessoas. Já o responsável pela universidade de medicina de Kerman, Ali Sharifi, admitiu que se esperam mais mortos.

Os sismos são são frequentes nesta região iraniana, onde há pouco mais de um ano um terramoto arrasou por completo a cidade histórica de Bam, matando cerca de 31 mil pessoas.

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Magnitude de um sismo (Escala de Richter)

A magnitude é uma tentativa de comparar sismos em termos da sua energia e poder totais. A duração do sismo não entra em linha de conta no conceito de magnitude.

A magnitude avalia-se medindo a máxima deslocação ou amplitude dos traços dos sismógrafos, sendo determinada depois de feita a correcção devida à distância entre o epicentro e o sismógrafo.

Teoricamente, os cálculos de magnitude de várias estações sísmicas deveriam dar o mesmo valor para o mesmo sismo mas, por vezes, registam-se discrepâncias nas magnitudes registadas de um dado sismo, devido aos diferentes caminhos das várias ondas de um mesmo sismo captadas pelo sismógrafo.

A magnitude é um conceito inicialmente desenvolvido pelo físico e sismólogo americano Charles Francis Richter (1900-1985) e pelo seu colega Beno Gutenberg, com base no estudo dos sismos ocorridos na Califórnia.

Na escala desenvolvida em 1935 por Gutenberg e Richter - e que ficaria conhecida pelo nome de escala de Richter - um sismo de grau 2 é o mínimo que uma pessoa pode sentir (um ligeiro tremor). Os danos em prédios acontecem acima dos 6. Os maiores sismos registados até hoje tiveram uma magnitude de 8,9.

Para cobrir o enorme leque de magnitudes dos sismos, a escala de Richter é logarítmica - cada unidade representa um aumento de dez vezes da amplitude das ondas medidas, e aproximadamente um aumento de 30 vezes da energia.


Intensidade de um sismo (Escala de Mercalli)

A escala de Mercalli (Modified Mercalli Intensity Scale) mede a intensidade dos sismos. A intensidade classifica o grau do tremor. É calculada "a posteriori", através da inspecção dos estragos e outros efeitos dum sismo, que normalmente são maiores junto do epicentro, diminuindo com a distância.

Durante muitos anos, a escala mais usada para medir a intensidade de um sismo foi uma escala de dez pontos desenvolvida por Michele Stefano de Rossi e François-Açlphonse Forel em 1878.

Apesar de tudo, a escala de Mercalli está hoje quase fora de uso, sendo usualmente substituída pela escala de Richter, que mede a magnitude dos sismos.

A intensidade da escala de Mercalli é expressa em numerais romanos - I a XII - e é puramente descritiva. Para determinar a intensidade, recolhe-se informação através da resposta a questionários e de relatórios de especialistas em danos sismicos. A partir dessas informações, é então possível fazer um mapa isosismal, formado por linhas que limitam as áreas com a mesma intensidade, à volta do epicentro. Com o mapa dos valores de intensidade é possível estimar a magnitude e profundidade do epicentro, pelo intervalo dos contornos das linhas de intensidade e o valor máximo da magnitude.

Versão simplificada da escala de Mercalli:

I - Não se sente.

II - Só é sentido por pessoas em descanso ou nos andares superiores de um prédio.

III - Só é sentido por pessoas dentro de casa. Candeeiros do tecto balouçam. A vibração sentida é semelhante à provocada por um camião que passa.

IV - Vibração semelhante à provocada pela passagem de camiões pesados. Carros estacionados balouçam. Objectos de louça e janelas vibram. Objectos de cristal tilintam. Soalhos de madeira e vigas podem ranger.

V - Sente-se mesmo na rua. pode estimar-se a direcção das vibrações. Acordam pessoas que dormem. Agita líquidos em repouso, podendo mesmo entornar os copos cheios. Pequenos objectos são deslocados. As portas abrem-se e batem. Os relógios de pêndulo param ou aceleram.

VI - Sentido por toda a gente. Pessoas assustam-se e saem para rua. Tornar difícil andar. Quadros caem das paredes. Móveis mexem-se ou caem. Caliça cai das paredes, azulejos racham. Pequenos sinos começam a tocar. Árvores e arbustos abanam.

VII - Dífícil manter-se de pé. Mesmo os condutores de automóveis o sentem. Os objectos suspensos balançam. Móveis partem-se. Tijolos e azulejos mais frágeis partem-se. Chaminés mais frágeis desabam. Cai gesso das paredes, tijolos soltos, cornijas, pedras, telhas. Formam-se ondas nos lagos e tanques. As águas ficam sujas de lama. Criam-se declives e desníveis ao longo de areais e zonas de gravilha. Grandes sinos tocam. Valas de cimento ficam danificadas.

VIII - A condução de automóveis é afectada. Construções são afectadas, algumas podem cair parcialmente. Queda dos estuques e de algumas paredes de tijolo. Chaminés torcem-se e caem, monumentos, torres, depósitos de água elevados caem igualmente.

Estrutura das casas desloca-se ou chega mesmo a cair. Paredes soltas caem. Ramos das árvores partem-se. Temperatura e caudal da água das fontes e poços é alterada. Surgem brechas no solo em declives e na terra molhada.

IX - Pânico generalizado. Construção mais frágeis são destruídas. As construções normais são muito danificadas, algumas colapsam. Mesmo as construções mais sólidas são afectadas. Reservatórios de água danificados. Canalizações subterrâneas são afectadas. Brechas visíveis no solo. Nas zonas aluviais, areia e lama é ejectada.

X - A maior parte das construções é destruída juntamente com as fundações. Construções mais sólidas de madeira e pontes colapsam. Danos graves em barragens, diques e cais. Grandes deslocamentos de terra. Água de canais, rios, lagos é projectada. A areia e lama sofre grandes deslocações laterais nas praias e regiões planas. Carris de caminho de ferro são ligeiramente torcidos.

XI - Carris de caminho de ferro muito torcidos. Canalizações subterrâneas completamente destruídas

XII - Danos quase totais. Grandes massas rochosas deslocadas. As linhas de nível são alteradas. Objectos são lançados ao ar.

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