O número de jovens portugueses que aderem aos movimentos nacionalistas é cada vez maior, revela um relatório do Serviço de Informações de Segurança (SIS) citado na edição de hoje do "Correio da Manhã". O SIS considera os movimentos de "skinheads" e neonazis portugueses "um factor de risco efectivo para a segurança interna" e apurou que a mobilização é feita sobretudo através da Internet e no âmbito das claques de futebol.
De acordo com o documento do SIS, os grupos em causa não constituem uma ameaça à democracia portuguesa, mas são "já um factor de risco efectivo para a segurança interna, no tocante ao incitamento e promoção da violência política e racial".
A "secreta" portuguesa está a prestar uma especial atenção às claques de futebol, por considerar que os grupos de "cabeças-rapadas" continuam a investir nos meios "hooligan", mas também na Internet, onde proliferam sites e salas de conversação de inspiração nacionalista.
Ainda de acordo com o relatório, o SIS indica que estes grupos são também potenciadores de conflitos multiculturais entre militantes da extrema-direita e minorias étnicas de bairros problemáticos das grandes cidades, como Lisboa e Porto.
O relatório indica ainda que estão a aumentar os contactos dos nacionalistas portugueses com as organizações de neonazis e "skinheads" a nível internacional. Muitos dos grupos neonazis, escreve o jornal, integram o Hammerskin Nation, "uma organização fundada nos Estados Unidos, conhecida por promover de forma organizada ideais de violência e de supremacia da raça branca".
Em Portugal, a Portuguese Hammerskin (PHS) "é uma célula autónoma e clandestina, de características paramilitares, que assegura a luta armada pela supremacia racial", escreve o SIS no seu relatório. Ainda de acordo com o SIS, a PHS "tem ligações à Frente Nacional, um movimento mais aberto que angaria simpatizantes através de outras iniciativas".
Contactado pelo "Correio da Manhã", o dirigente da Frente Nacional Mário Machado confirmou que, desde Novembro de 2004, o número de militantes nacionalistas cresceu 400 por cento. Segundo o dirigente, a maior parte dos novos militantes são jovens "de todos os estilos, não só cabeças rapadas" e quase metade (49 por cento) tem menos de 21 anos de idade.
Mário Machado justifica que a média de idades "é sinónimo da insegurança que vivem nas escolas", adiantando que os jovens são "vítimas das minorias étnicas, que se estão a tornar maiorias".
Restam 1200 caracteres
Os comentários deste site são publicados sem edição prévia, pelo que pedimos que respeite os nossos Critérios de Publicação. O seu IP não será divulgado, mas ficará registado na nossa base de dados.
Quaisquer comentários inadequados deverão ser reportados utilizando o botão “Denunciar este comentário” próximo da cada um. Por favor, não submeta o seu comentário mais de uma vez.


