Sines e Santiago do Cacém denunciam atraso no concurso para tratamento de lamas

19.06.2007 - 14:18 Por Lusa
Os presidentes das câmaras de Sines e Santiago do Cacém estão preocupados com "o atraso" do concurso para o tratamento das lamas oleosas depositadas no aterro da região, cujos resultados, garantem, deveriam ter sido divulgados em Março.
"Existe um atraso considerável no concurso público para o tratamento destas lamas, uma vez que os resultados da proposta seleccionada deviam ter sido conhecidos em Março e ainda não o são, três meses depois", disse Manuel Coelho, presidente do município de Sines.
Os responsáveis dois municípios (Santiago do Cacém alberga o aterro de resíduos industriais, na Maria da Moita, e Sines o complexo industrial) estiveram reunidos ontem com a empresa Águas de Santo André (AdSA) e com o grupo Águas de Portugal (AdP), a quem pediram esclarecimentos.
"Estamos preocupados com o encontro de uma solução rápida e boa para este problema. Queremos que haja transparência na análise das propostas a concurso e vamos estar atentos à forma como o processo vai decorrer", frisou Manuel Coelho.
Para os dois municípios, a solução ideal passaria pela escolha de uma proposta que contemplasse "o tratamento das 160 mil toneladas actualmente existentes, bem como das lamas que se venham a produzir no futuro".
"Sabemos que há propostas boas para o tratamento físico-químico destas lamas, no local, evitando o seu transporte e os riscos a ele associados", disse o autarca, acrescentando que "a opção por uma solução dessas constituiria uma mais-valia para a região e um factor de competitividade para o complexo industrial de Sines".
Manuel Coelho vincou ainda que a posição destas autarquias é desfavorável à co-incineração, apontando antes para "uma solução mais respeitadora do ambiente e com custos suportáveis".
Foram apresentadas quatro propostas no concurso público, com diferentes soluções e custos implicados: a co-incineração em Portugal (por 117 euros de tonelada de resíduos tratados), a co-incineração em Espanha (69 euros), o tratamento físico-químico no local (65 euros) e o tratamento térmico no local ou pirólise (40 euros).
Estes valores "não são, contudo, comparáveis por si só", explicou Rui Berkemeier, do Centro de Informação de Resíduos da Quercus, que reserva para mais tarde uma avaliação das opções mais correctas.
"Ainda vamos analisar o concurso, proposta a proposta, e só depois daremos conta da nossa opinião", disse.
Quanto ao alegado atraso do concurso, invocado pelos municípios de Sines e Santiago do Cacém, Rui Berkemeier esclareceu que "as propostas foram apresentadas em Janeiro. Não sei se o concurso está formalmente atrasado, mas demorado está, seguramente".
Rui Berkemeier sublinha para já que a Quercus "não aceita que o concurso seja anulado" e já contactou o Ministério do Ambiente no sentido de obter essa garantia.
Entre as empresas que apresentaram as quatro propostas a concurso estão o consórcio que inclui as cimenteiras Secil e Cimpor (co-incineração), a Indaver Portugal (tratamento físico-químico) e o grupo Mesquita, em conjunto com o seu parceiro tecnológico Tech Trade (pirólise).
O concurso público internacional foi lançado em Outubro do ano passado.
O vencedor do concurso terá de assegurar o tratamento das 160 mil toneladas de lamas oleosas depositadas durante os últimos 15 anos no aterro da Maria da Moita.

