Sindicato pede cautela na imposição aos médicos de exclusividade no serviço público

29.07.2008 - 12:50 Por Lusa
O Sindicato Independente dos Médicos considerou hoje que a proposta do Governo de impor aos médicos exclusividade ao serviço público tem de ser vista com "cautela", pois pode "ter repercussões graves".
O dirigente do Sindicato Independente dos Médicos, Carlos Arroz, disse que tem de haver algum cuidado na forma como se vai tratar este assunto pois a medida pode ter repercussões graves como a ida em massa de médicos para os serviços privados. "As coisas têm de ter equidade e não podemos querer impor uma situação aos médicos que vão acabar por ir para o privado", afirmou.
O Governo quer impor aos médicos dedicação exclusiva ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), sem possibilidade de opção por um regime de trabalho parcial, de acordo com uma notícia avançada hoje pelo “Correio da Manhã”, que cita uma proposta do Ministério da Saúde para a revisão das carreiras médicas dentro da Função Pública.
Carlos Arroz explicou que o sindicato não recebeu uma proposta, mas três páginas com princípios informadores do que vai ser a discussão sobre carreiras médicas. "Vamos discutir em breve o assunto com o Governo e depois iremos perceber se a medida é exequível do ponto de vista financeiro e dos recursos humanos", contou.
O dirigente do Sindicato Independente dos Médicos reforçou que o assunto deve ser abordado com cuidado, pois "a classe médica não hesitará em ripostar se as condições não forem adequadas". "O sindicato concordará sempre com a proposta se esta for correcta para os médicos. Se nós pretendermos que os médicos fiquem em exclusivo na função pública tem de haver contrapartidas financeiras interessantes como em qualquer emprego", precisou.
Carlos Arroz informou, ainda, que o sindicato vai aguardar "com paciência pelas propostas definitivas para se iniciarem discussões de forma concreta".

