Sindicato Nacional da Polícia reúne-se com Amnistia Internacional para explicar maus-tratos 
27.05.2005 - 13:08 Por Lusa
O Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol) vai reunir-se quarta-feira com a secção portuguesa da Amnistia Internacional para explicar porque razão "alguns factos" dão origem a queixas. O último relatório da Aministia Internacional volta a referir maus tratos por parte de guardas prisionais e demonstrações de racismo e discriminação por parte da polícia portuguesa.
O relatório de 2005 sobre Portugal, divulgado quarta-feira e com dados referentes ao ano passado, refere que "continuaram a ser denunciados casos de uso desproporcional da força e maus-tratos por parte da polícia". De acordo com o relatório, a "polícia usou armas de fogo e balas de borracha de forma desnecessária ou desproporcional relativamente à ameaça" em várias situações.
Face às críticas apontadas pela Amnistia Internacional, o Sinapol quer explicar à organização o "porquê de alguns factos que à posterior dão origem a queixas", refere um comunicado do sindicato. O Sinapol justifica também a reunião por temer que as actuações dos agentes da PSP, citadas pelo relatório, tenham sido aumentadas pela comunicação social.
O sindicato quer ainda chamar a atenção para o facto de o relatório da Amnistia Internacional utilizar sempre o termo "polícia" quando fala na actuação das forças de segurança, sem as identificar.
No comunicado, o Sinapol diz que "se for preciso" trabalhará com a Amnistia Internacional para "eliminar o nome da PSP" dos relatórios da organização.
Na quarta-feira, em declarações à agência Lusa, o presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, Alberto Torres, considerou "desajustadas e descabidas" as conclusões da Amnistia Internacional, dada "a evolução que a PSP tem feito, nos últimos anos, no respeito pelos direitos humanos".
Também Ramires Fernandes, elemento da direcção do Sindicato dos Guardas Prisionais, garantiu à Lusa que "nas cadeias não são cometidos abusos de qualquer espécie ou maus-tratos contra os reclusos de forma gratuita". O sindicato admite apenas a existência de "casos pontuais de agressões verbais e físicas entre reclusos e guardas", mas lembra que "os guardas são alvo de mais actos violentos por parte dos reclusos do que o contrário".
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