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Guarda prisional, de 47 anos, terá escorregado e caído de uma torre de vigia

Sindicato exige inspecção a todas as cadeias depois da morte de guarda em Custóias

07.11.2009 - 07:52 Por Natália Faria

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A vítima estava de vigia numa das quatro torres da cadeia A vítima estava de vigia numa das quatro torres da cadeia (PÚBLICO (arquivo))
É aguardada ainda a confirmação através da autópsia, mas o presidente do Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional, Jorge Manuel Rocha Alves, está convencido que o guarda prisional que morreu, anteontem à noite, em Custóias, escorregou quando tentava sair de uma torre de vigia que não oferece as necessárias condições de segurança.

A vítima - de 47 anos e pai de dois menores - estava de vigia numa das quatro torres da cadeia e o seu corpo foi encontrado no chão às 23h pelo colega que o ia render. "Por volta das 21h houve um contacto telefónico em que estava tudo bem. Nós presumimos que o colega abriu o alçapão da torre para sair - ou porque se sentiu mal ou porque queria ir à casa de banho - e escorregou, acabando por cair da torre com cinco metros de altura. O corpo estava de cabeça para baixo e tinha sangue", relatou ao PÚBLICO o presidente do sindicato dos guardas prisionais, dizendo-se convencido de que aquele profissional partiu o pescoço ao embater com a cabeça no solo.

A Direcção-Geral dos Serviços Prisionais (DGSP) garantiu, num comunicado lacónico, que abriu um inquérito para "averiguar as circunstâncias deste trágico acontecimento". Para o sindicato não chega, até porque esta morte soma-se a vários incidentes relacionados com a falta de segurança nas torres de vigia das cadeias. "Há um ano, também em Custóias, um colega partiu as pernas, ao cair das escadas de uma das torres. Há cinco anos, no Linhó, outro colega escorregou do varandim. Vamos exigir uma inspecção rigorosa a todos os estabelecimentos prisionais, porque os acidentes não podem continuar a suceder-se desta forma", anunciou Jorge Alves.

A falta de condições nas torres de vigia das cadeias é tema de denúncia recorrente. "Em Vale de Judeus, as torres estão remendadas com chapa, com sistema eléctrico à vista e água a escorrer pelas paredes. Qualquer um está sujeito a morrer electrocutado", insiste o presidente do sindicato. Nas denúncias apresentadas aos grupos parlamentares - mas também à Inspecção-Geral do Trabalho e da Saúde e à própria DGSP - sobram ainda as queixas relativas à exiguidade das torres, à falta de iluminação capaz de garantir um mínimo de segurança no acesso pelas escadas, à inexistência de casas de banho e à impossibilidade de rendição por falta de guardas.

Mil guardas a menos

"Muitos guardas têm turnos de quatro e cinco horas e, como não há ninguém que os possa substituir, defecam em sacos e urinam em garrafas, para evitar descurar a segurança periférica", insurge-se Jorge Alves, para quem a DGSP "devia preocupar-se com a segurança dos guardas tanto como em pôr fim aos baldes higiénicos nas celas". Soluções? "Aumentar as torres e criar espaços para uma casa de banho com vidros que permitam ver para fora mas não para dentro." E ainda: "Mudar o sistema de acesso, criando escadas em caracol ou em lanços para os guardas não terem de se pôr de gatas para aceder ao piso de cima."

Nenhuma destas sugestões diminui a sinistralidade entre os guardas, se este corpo profissional não for reforçado. "Há perto de mil guardas a menos nas cadeias portuguesas. O Governo 'descongelou' agora 300 vagas e diz que vai abrir mais 250 em cada ano até perfazer os 750, mas, por enquanto, não há garantias." Esta lacuna - que leva a que na prática existam apenas sete guardas para 91 reclusos - foi um dos motivos por detrás da greve que os guardas prisionais fizeram em Agosto. "Por não haver guardas é que tivemos, este ano, em Custóias, sete enforcados entre os reclusos. Aliás, também anteontem à noite, mais um recluso tentou enforcar-se em Custóias", correlaciona Jorge Alves.

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Título

tranca em casa roubada ou ausencia de coragem do SNCGP? onde estavam quando desmarcaram a greve de ...

Anónimo

08.11.2009 20:07

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