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“Guerra” de medicamentos

Sindicato dos Profissionais de Farmácia acusa empresas de genéricos de oferecerem bónus

18.04.2009 - 18:57 Por Alexandra Campos

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Os laboratórios começaram também a tentar aliciar os farmacêuticos com prendas várias, acusa o sindicato Os laboratórios começaram também a tentar aliciar os farmacêuticos com prendas várias, acusa o sindicato (Sara Matos (arquivo))
“Praticamente todos os laboratórios de genéricos oferecem bónus às farmácias”, afirma Diamantino Elias, presidente do Sindicato Nacional dos Profissionais de Farmácia e Paramédicos (Sifap). “É uma barbaridade”, considera este técnico de farmácia reformado, que defende uma intervenção governamental para que os estabelecimentos vendam a preços mais reduzidos estes medicamentos, que “ainda são muito caros em Portugal comparativamente com outros países”.

Os bónus são um grande negócio. Um exemplo já divulgado é o da Mer que distribuiu um folheto a promover genéricos “low cost”: se a farmácia comprar 10 embalagens recebe mais 10 de graça; se comprar 50, recebe 100. Facilmente se percebe que, se ao vender as primeiras embalagens a farmácia recebe apenas a margem instituída (18,5 por cento), nas segundas é só lucro, e muitas vezes o benefício não se repercute no preço de venda ao doente. “E ainda cobram Iva”, nota Diamantino Elias. Mais: as farmácias cada vez mais fazem descontos aos utentes . “Só que os descontos de cinco a 10 por cento apenas são feitos na parte que o utente paga, não incidem na comparticipação estatal”, explica. O Governo devia ter em atenção estes “problemas fiscais”, alerta.

A concorrência entre as empresas da indústria farmacêutica e a grande aposta no marketing sempre existiu, mas “acentuou-se”com o grande crescimento dos genéricos em Portugal nos últimos anos. Os genéricos são mais lucrativos para a indústria farmacêutica porque são muito mais baratos (já não há que amortizar o enorme investimento que representa a investigação de uma molécula nova e grandes gastos em promoção do medicamento inovador), frisa o sindicalista.

Diamantino Elias diz ainda que há “patrões de farmácias” que preferem os laboratórios que lhes dão mais bónus e que depois pressionam os trabalhadores para venderem aquelas embalagens. “Privilegiam não a qualidade do serviço, mas sim a quantidade”, lamenta. Mas os técnicos de farmácia às vezes boicotam estas pressões, garante.

Para além dos bónus, os laboratórios começaram também a tentar aliciar os farmacêuticos com prendas várias e viagens , tal “como fazem com os médicos”, porque no caso dos genéricos, se o médico não “trancar” a receita, a marca pode ser substituída na farmácias. É por isso, explica, que os delegados de informação médica – que antigamente iam às farmácias “mas só para saber como estavam a sair as marcas e quais eram os médicos que mais receitavam” - agora promovem os medicamentos não só junto dos clínicos mas também dos farmacêuticos.

O SIFAP representa técnicos de farmácia (anteriormente designados ajudantes técnicos de farmácia) e profissionais dos meios complementares de Diagnóstico e Terapêutica, vulgarmente designados por Paramédicos.

Notícia corrigida às 21h33

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Direcção do SIFAP

O ANÓNIMO- Algarve. foca a questão principal da inoperância da Autoridade, que tutela o sector, e ...

Diamantino Elias

23.04.2009 17:23

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